Caso #3 - Edison Tsung-Chi : "O calouro da USP"
22:46
Quem presta vestibular em um faculdade publica, já tem em mente que o tradicional trote para calouros vem incluido no pacote: Aquela festa animada, que comemora a chegada dos novos estudantes e os parabeniza por terem passado no vestibular.
"Ovos, farinha, sacos de lixo…" , ingredientes simples fazem parte destas cerimõnias
A cena parecia até banal. Oito alunos. Todos da turma 86 da Faculdade de Medicina da USP. Elaboravam uma lista de compras para a celebração daquele dia...
Alguém que os visse naquele instante, jamais poderia supor., mas ali começava a ser construído o roteiro de uma morte. A morte de Edison Tsung-Chi Hsueh, de 22 anos
Logo que acordou, no dia 22 de fevereiro de 1999, Edison vestiu uma calça jeans e uma camiseta, calçou um tênis, colocou uma bermuda roxa na mochila, pegou um caderno e seguiu feliz para a avenida Doutor Arnaldo, no bairro de Pinheiros, onde fica a faculdade, para o seu primeiro dia de atividade acadêmica.
Ele Sabia que uma sessão de trotes o aguardava, mas não estava preocupado. Ao contrário, estava orgulhoso porque finalmente poderia realizar o sonho de ser cirurgião e tornar-se médico como muitos em sua família. Afinal, na semana anterior tivera uma prévia do que poderiam ser as brincadeiras e as imaginava divertidas. Na matrícula tivera o corpo pintado com tinta guache, a cueca rasgada, os cabelos raspados e, em um descuido de um veterano com a tesoura, ele acabou tendo um corte no rosto.
Ele ficou em um estado tão deplorável que sua mãe, a comerciante Hsueh Yen Yin Hwa, teve de apanhá-lo de carro. Edison tinha motivos para estar de bem com a vida. Depois de três anos cursando Medicina na Santa Casa, havia passado no vestibular para a concorrida USP e conseguiu livrar-se de uma mensalidade de R$ 1.080, que pesava no orçamento da família. ( nos valores atuais, essa mesma faculdade tem uma mensalidade de mais de 7 mil reais),

As 7 horas da manhã, os calouros assistiram à aula inaugural no teatro da faculdade. após as palestras do diretor e de representantes da Associação Atlética e do Centro Acadêmico, todos os que estavam presentes foram avisados de que não precisariam participar do trote caso não desejassem., mesmo assim quase todos aderiram ao ritual. .
Quem não quisesse participar poderia sair pela porta dos fundos e quem se habilitasse, pela frente. Quarenta calouros se recusaram. Cerca de 140 toparam participar.
As roupas que não poderiam manchar, as mochilas, os documentos e os objetos de valor foram colocados em um saco preto etiquetado com o nome do dono e entregues aos diretores da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, que eram alunos do terceiro ano que administram o clube.
A maioria dos novatos ficou de bermuda ou short. Logo que saiu, Edison foi amarrado com barbante a outros quatro calouros. Em seguida eles tiveram o corpo e as roupas pintados com tinta e violeta genciana e a cabeça coberta por farinha de trigo e ovos.
Amarrados, eles seguiram para a frente da faculdade e sentaram em uma das pistas atrapalhando o trânsito por cinco minutos.
Quando o relógio marcava aproximadamente meio-dia os veteranos os encaminharam ao clube onde teria início um churrasco.
Durante o trajeto, algumas brincadeiras questionáveis foram feitas. Uma delas simulava uma partida de boliche. Um calouro, geralmente mais obeso, era obrigado a rolar em direção aos colegas e derrubá-los. Outros tiveram de fingir praticar sexo com uma árvore
Para que não entrassem sujos na piscina, os veteranos davam banhos com mangueiras de água nas calouras e as veteranas nos calouros, os esfregando com buchas.
Os novatos desceram a escadaria em "L" que leva à arquibancada da piscina e foram convidados a beber um variado coquetel de destilados e fermentados enquanto tinham de aprender hinos e palavras de ordem que têm como tema a rivalidade com outras faculdades de Medicina, especialmente a Escola Paulista e a Santa Casa.
Aliás, Edison teve o nome "Santa Casa" pintado nas costas e seus colegas que tambpém vieram de outras escolas de Medicina foram estigmatizados da mesma forma. Em um determinado momento os calouros foram jogados na água. Dois calouros relatam que, devido ao grande número de pessoas, aqueles que estavam na frente eram empurrados para dentro da piscina
Edison não foi visto perto da piscina. O calouro Wagner Hernandez foi, provavelmente, a última pessoa a falar com ele. Os dois conversaram brevemente na aula inaugural. E voltaram a se encontrar no trajeto entre o bosque e a arquibancada, até se desemcontrarem novamente
Porém Edison era um dos que estava entre os mais de cem alunos que entraram na água. E o único que não saiu. O corpo do rapaz foi encontrado apenas na manhã seguinte.
Por volta das 12h30, havia cerca de 300 pessoas dentro da piscina,s lavagem de mangueira pelo que os calouros passaram anteriormente só havia retirado a cama em excesso de tinta, e a tinta restante começou a se desprender dos corpos dos alunos, deixando a água completamente turva.
Por volta das 14h30 um temporal tomou conta do céu e obrigou os estudantes a sair rapidamente da piscina. Em torno das 16h30, após a chuva, não havia mais ninguém na água. Em compensação, não dava para enxergar nada no fundo, tal a sujeira deixada pelos estudantes. Neste momento, o pessoal estava todo no Caveirinha, nome dado ao menor dos dois ginásios cobertos da Atlética, tomando cerveja, comendo churrasco e ouvindo música tecno e forró em alto volume. Alguns estudantes estavam embriagados, mas nenhuma briga foi registrada. Apesar da chuva ter mandado muita gente para casa, a festa ainda durou até por volta das 18 horas, regada a muita bebida e acesso livre a piscina.

Conforme o dia passava, não muito longe dali, o engenheiro civil Hsueh Feng Ming , pai de Edson, estava reocupado porque escurecera e o filho não chegava em casa, o pai imaginou que Edison esquecera-se do horário porque estaria com os novos colegas, jogando xadrez, e decidiu dar este espaço ao filho , que , devido a dedicação aos estudos, não tinha muito tempo para se divertir
Após o corpo ser descoberto, às 7h30 do dia seguinte pelo funcionário Luiz Carlos dos Santos, o clima na Atlética ficou pesado, poucos acreditavam na possibilidade de agressão no trote.
Eram 8h20 de 23 de fevereiro de 1999, quando a polícia chegou. Retirado da água pelos bombeiros, encontrava-se imobilizado sobre o piso cimentado na margem de uma piscina no fundo do Clube Osvaldo Cruz. O perito anotou: cabelos pretos e lisos, oriental, cerca de 1,75 metro, compleição física mediana. Era Edison Tsung Chi Hsueh
Poucos acreditavam na possibilidade de agressão no trote. A maioria dos envolvidos nessa trama apostava na hipótese de ele ter voltado sozinho às imediações da piscina e, provavelmente alcoolizado, ter escorregado e caído na água, o que foi descartado posteriormente pelo exame toxicológico que detectou que Edison não ingeriu nenhuma bebida alcoólica.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML), que levou quase dois longos meses para ser divulgado, falando em "minutos de agonia e luta" antes da morte, caiu como uma bomba na Atlética.

A primeira providência da diretoria foi proibir todos os funcionários de comentar o assunto, especialmente com a imprensa. Muitos acham que o menino pode ter sido jogado na água à força, como em geral os veteranos fazem com os calouros, e outros estudantes tenham caído em cima dele, mantendo-o no fundo e provocando os ferimentos revelados pelo laudo.
Por esta versão, o calouro teria permanecido no fundo da piscina e ninguém teria percebido. Isto vai de encontro ao relato que alguns alunos deram ao delegado que cuida do caso, Marcelo Guedes Damas, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
"Estudantes contaram que receberam caldos e que quando tentavam voltar à borda da piscina tinham as mãos pisadas pelos veteranos, impedindo que eles saíssem da água", afirmou. Pouco depois das 17h, um funcionário jogou um produto químico na piscina para decantar a água. Não notou nada de anormal, mas não tinha como enxergar o fundo.
Ainda segundo o depoimento dos estudantes, era grande a quantidade de bebidas na festa. Pinga Pitu, Malibu, uísque, vodca, Contini, Martini e muita, muita cerveja gelada, tudo de graça, pago pela Atlética. Muitos alegam que foram para casa entre 15h e 16h30, uma vez que a animação foi diminuindo após a chuva. E é justamente aí que começa o mistério sobre a morte de Edison. Nenhum aluno sabe dizer o que aconteceu depois da chuva. Muitos se disseram surpresos quando o corpo de Edison foi encontrado na manhã seguinte.
O delegado Damas tem informações de que a festa transcorreu até as 18h e uma hora depois alguns alunos nadaram na piscina. Até as 23h ainda tinha um grupo treinando handebol no clube. Na polícia, aproximadamente 100 alunos – entre calouros e veteranos – intimados a depor afirmaram, sempre acompanhados de Guilherme Batochio, advogado contratado pela Atlética e pelo centro acadêmico para defendê-los, em uníssono que nada viram e nada sabem. Defendem-se a si mesmos e a seus pares em um explícito espírito de corpo dizendo que o trote não foi violento e que ninguém os obrigou a nadar ou a beber. E se calaram evidenciando um pacto.
A promotora Elaine Passarelli suspeita que, durante o trote, o rapaz foi espancado e jogado na piscina. E alega:
"Ouvimos dezenas de participantes, todos negaram e agora me fazem acreditar ainda mais, com o laudo, que decidiram acobertar os assassinos num pacto", diz ela. "O que houve foi uma recomendação da diretoria da faculdade para que eles não falassem num primeiro momento para que suas declarações não fossem distorcidas", contrapõe Batochio, negando a existência de um pacto.
A versão dada pelos estudantes no DHPP, porém, começou a ser desmontada quando a mãe de um calouro que preferiu não se identificar ligou três dias depois da morte para o ouvidor da polícia, Benedito Domingos Mariano, para contar que seu filho e os colegas foram obrigados pelos veteranos a ingerir bebida alcoólica, muitos inclusive chegaram a passar mal e ainda foram ameaçados se contassem algo à polícia. O Ministério Público teve acesso a prontuários de atendimento no pronto-socorro do Hospital das Clínicas onde vários estudantes foram atendidos por ter exagerado no consumo de álcool, segundo as promotoras Elaine Passarelli e Maria Amélia Nardy Pereira, designadas para acompanhar o caso. Mais de 50 relatórios escritos de próprio punho pelos calouros sobre a festa, obtidos pela polícia, também desmontam a versão coletiva sobre o trote ter sido "light"
Os estudantes ficaram em uma situação ainda mais delicada depois que um vigia do clube prestou depoimento. afirmando que recebeu um telefonema às 4 horas de um aluno veterano perguntando se estava tudo bem por ali, a promotora então pediu a quebra do sigilo telefônico de um grupo de estudantes para fazer o cruzamento das informações, mas este aluno ele negou que tenha feito a chamada
As promotoras do caso prometeram indiciar todos os alunos que estavam na festa por homicídio depois que o laudo mostrou que Edison, que não sabia nadar, morreu entre 12h e 16h, portanto no auge da festa, vítima de asfixia mecânica por afogamento. Os legistas encontraram vários ferimentos. O documento assinado pelo médico Carlos Delmonte aponta ainda que houve luta na piscina antes da morte. O laudo trouxe à tona a certeza que Ming e sua mulher carregavam desde que enterraram o filho em uma cerimônia budista. "Ele foi espancado até morrer
Além de Ming, as promotoras que cuidam do caso também desconfiavam desde o início de um crime por conta das omissões dos estudantes. "Os relatórios mostram ainda o poder intimidatório dos veteranos sobre os calouros. Desde o dia da morte, o assunto virou tabu nos corredores e nas salas de aula da Faculdade de Medicina.
Um estranho silêncio envolve esses futuros médicos. A atitude correta seria incentivar a apuração e não negar as evidências de homicídio. Edison faria parte de uma elite. Sua morte, contudo, rebaixou a turma de calouros de 1999 – e seus veteranos violentos – a um bando marcado para sempre pelo corporativismo cego.
A timeline que conta os eventos daquele faditico dia, foi criada através de depoimentos e cartas escritas por calouros , em uma iniciativa iniciada pela professora de clínica geral Maria do Patrocínio Warth, Ela convenceu os alunos a pôr no papel tudo o que viveram naquela data
Primeiro, fez-se um documento conjunto, datilografado e aprovado por um grupo de 35 alunos. Depois, em reunião com 127 alunos, os calouros foram estimulados a escrever, de próprio punho, relatos individuais, anexados posteriormente ao documento coletivo.
Os testemunhos como que dividem o trote em três fases. Nas duas primeiras -dias 8 e 9, durante a matrícula, e na manhã do dia 22,
Um dos alunos descreveu assim a atmosfera que o envolvia: "(...) acho que foi como no Carnaval, quando pessoas bebem e às vezes as festas acabam em tragédia".
Foi nesse cenário que os sonhos de Edison submergiram. Seu nome é mencionado em três das 68 cartas. Em uma delas está anotado: "A última vez que vi o Edison foi no momento em que todos estavam à beira da piscina (...)"
Segundo relatos de seus familiares, Edison não sabia nadar. Por que, então, foi parar no fundo de uma piscina que não dá pé, como se diz, nem nos seus pontos mais rasos? É o que se perguntam todos.
Novamente, as cartas dos calouros oferecem pistas:
1) "Veteranos (...) obrigaram uma caloura, que não sabia nadar, a entrar na piscina. A caloura avisou que não sabia nadar. Mas mesmo assim teve de entrar na piscina, coagida. Ela foi retirada da piscina por outros veteranos."
2) "Alguns veteranos bateram nas mãos ou no (ilegível) de calouros que descansavam na borda da piscina com chinelos e com baquetas de bateria, obrigando-os a se dirigirem para o meio."
3) "(...) Em certos momentos, (os calouros) se apoiavam na borda da piscina. Alguns veteranos pisavam nas mãos dos calouros, intimidando-os a permanecer na água (...)"
4) "(...) Havia mais de cem pessoas na água (...)"
5) "O que deveria ter sido feito, e não ocorreu, era um aviso sobre a profundidade da piscina."
6) "Talvez tenha faltado um salva-vidas numa piscina tão profunda."
7) "Havia muitos alunos alcoolizados, uma piscina funda e ninguém responsável para vigiar."
8) "A junção de pessoas alcoolizadas, com aquela piscina do lado, foi uma abertura para acidentes."
Houve quem elogiasse a recepção. "No geral, o trote foi leve, sem abusos, sem violência e sem bebidas", anotam os alunos em um trecho do relato coletivo.
"Os dois dias foram inesquecíveis para mim. A alegria está na minha memória, apesar da fatalidade ocorrida", diz um dos relatos individuais. "Sinto-me obrigado a agradecer pela boa e animada recepção, apesar de tão infeliz acidente", acrescenta outro. "O trote não deve ser extinto, visto que serve como um rito de passagem tão necessário ao ser humano", diz um terceiro relato.
A essa altura, a situação já havia fugido ao controle da chamada "comissão de trote" dos veteranos, a quem competia coibir abusos.
Há, entre os papéis obtidos pela Folha, um documento assinado pelos oito integrantes da comissão de trote. Eles afirmam que, após o banho de mangueira, os calouros foram liberados para participar de churrasco organizado previamente. "A partir desse momento, não estavam mais sob as orientações da comissão."
Embora a família de Edison esteja convencida de que ele foi assassinado e a polícia investigue a sério a hipótese de homicídio, a comissão de sindicância constituída na USP achava que não havia elementos que permitam conclusões definitivas.
Para a usp, era certo que:
1) Edison morreu afogado. O laudo da necropsia não deixa dúvidas a esse respeito;
2) Não há sinais de agressão prévia à sua queda na piscina.
O corpo apresenta escoriações e manchas. As primeiras, conforme explicações dos responsáveis pelo laudo à comissão, devem ser decorrência do período em que Edison se debateu debaixo d'água, tentando salvar-se. Quanto às manchas, não teriam sido produzidas na festa do dia 22, mas cerca de três dias antes.
Tem-se como duvidoso: a hora da morte de Edison. Embora mencione a possibilidade de que tenha ocorrido entre as 14h e as 16h do dia 22, o laudo não é categórico. As cartas registram a presença de estudantes no local da festa até por volta das 23h. O corpo de Edison foi encontrado na manhã seguinte, às 7h30.
A promotora do Estado de São Paulo Eliana Passarellli apresentou denúncia no 5º Tribunal do Júri, no Fórum de Pinheiros (zona sudoeste de São Paulo), contra dois médicos e dois estudantes de medicina da USP (Universidade de São Paulo) pela morte de Edison. Segundo a denúncia, os quatro cometeram homicídio com dolo eventual, ou seja, assumiram o risco de produzir o resultado de sua ação.
Homicídio doloso é quando há intenção de matar.

Os réus eram Frederico Carlos Jaña Neto, Ari de Azevedo Marques Neto, Guilherme Novita Garcia e Luís Eduardo Passarelli Tirico.
Frederico Carlos Jaña Neto, conhecido na época como Ceará, era apontado como um dos veteranos mais agressivos nas recepções de alunos. Estudante do 6º ano, ele chegou a ameaçar um calouro dizendo que estaria ‘marcado’ caso ele se recusasse a se arrastar pelo chão do ginásio. Em um vídeo gravado numa festa, Frederico chegou a dizer que tinha “matado o japonês”, em alusão a Edison. A declaração rendeu cinco dias de cadeia, mas o veterano foi solto sob a alegação de que as declarações foram feitas em tom de brincadeira. Hoje, aos 34 anos, Frederico está casado e é médico especializado em ortopedia/traumatologia. Atende na Clínica de Fraturas de Ortopedia da Mooca, na zona leste de São Paulo.
Guilherme Novita Garcia, conhecido como Campanha, admitiu ter feito brincadeiras para assustar os calouros e disse ainda ter jogado uma estudante na piscina naquele dia. Em depoimento na sindicância interna da faculdade, Guilherme provocou tumulto ao acusar membros da comissão de distorcer suas palavras e se recursou a assinar o termo final. Atualmente com 35 anos, Garcia é médico especialista em ginecologia/obstetrícia.
Luís Eduardo Passarelli Tirico era titular do time de basquete da faculdade e considerado “mauricinho” por seus companheiros. Nos depoimentos, afirmou que não estava na área da piscina no momento em que todos pularam. Está com 30 anos e, assim como o amigo Frederico, é especializado em ortopedia.
Ary de Azevedo Marques Neto, então aluno do 3º ano da faculdade, era o presidente da Associação Atlética. De temperamento calmo, praticante de surfe e handebol, era uma das lideranças do trote. Ary teria puxado os gritos de guerra da faculdade que levaram os alunos a pularem na piscina. Aos 31 anos, é cirurgião plástico.
Em 2006, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu pelo trancamento da ação por falta de provas. Por cinco votos a três
O relator, ministro Paulo Gallotti, afirmou que os depoimentos prestados mostram que houve calouros que participaram do trote que não se incomodaram e outros que se consideraram humilhados e desrespeitados, mas todos deixam certo que não há como relacionar os acusados com a morte da vítima.

Mais de 20 anos depois, com o processo arquivado na Justiça, a mãe e Edson, d, ainda sonha com justiça e pede reabertura do caso, ela diz: "Ainda não sei o que aconteceu com o meu filho. Após tanto tempo, só queria as fitas das filmagens que sumiram e nos prometeram", diz. "Precisamos de justiça. Abafaram o caso."
Yen Yin Hwa mora sozinha em Santo Amaro e não tem com quem conversar. O filho do meio, Emílio Hsueh, é engenheiro e mora em Jundiaí. O mais velho mora nos Estados Unidos, com a mulher e a filha, neta de Yen Yin Hwa. O pai do calouro morreu em 2008. Segundo yen: "Ele já não comia. Ficou magro e doente. E morreu de depressão. Tudo por causa do meu filho que já foi", segundo a promotora responsável pela denúncia, Eliane Passarelli. Ele ia no Ministério Público quase todos os dias em busca de respostas. Não se conformava
"Yen conta que sente raiva da Justiça e da universidade. E considera injusto nunca ter recebido indenização.
A decisão de não idenização é do Tribunal de Justiça de São Paulo. O entendimento foi o de que a universidade não é responsável pela piscina do Centro Acadêmico onde ocorreu a fatalidade.
Os pais de Edison entraram ação contra a USP reclamando indenização por danos morais e materiais. Pediram pensão mensal de R$ 7,5 mil e indenização equivalente a 20 mil salários mínimos.
De acordo com o entendimento do Tribunal, a USP não tinha a posse do bem onde ocorreu a morte do calouro.
O entendimento é o de que o estado cedeu, em regime de comodato, a área da piscina ao Centro Acadêmico Oswaldo Cruz. O termo foi lavrado em 11 de junho de 1957 pelo prazo de 40 anos. Tempos depois, outro documento registrou a doação do imóvel à USP. O contrato de comodato entre a USP e o Centro Acadêmico foi prorrogado até agosto de 2036.
“Assim, pelo que se percebe, embora o imóvel pertença à USP, por doação da Fazenda do Estado, a donatária nunca teve a posse do referido bem, — que desde 1957 está sob a guarda e os cuidados do Centro Acadêmico —, não podendo ela (a USP), assim, responder por algo sobre o qual não detém o poder de vigilância e fiscalização”, entendeu o relator, desembargador Aldemar Silva.
Uma das promotoras que atuaram no caso, Eliana afirma ter sido ameaçada, até de morte, na época que investigava o caso. Segundo ela, os filhos, à época com 12 e 14 anos, receberam ameaças de sequestro na escola. Ela não sabe, no entanto, os autores das ameaças. E diz que nunca denunciou por considerar que não valeria a pena, embora afirme ter notificado o próprio Ministério Público Estadual (MPE) e o procurador-geral do Estado da época.
A postura da comunidade médica, de acordo com Eliana, foi "totalmente corporativista" no caso. "Professores deram declarações e depois se desdisseram totalmente. Eles chegaram a fazer passeata na porta do fórum porque foram contra a gente ter feito a denúncia. Chegou a ser até ridículo e desumano", diz ela.
A sindicância feita pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) concluiu que não houve responsáveis diretos pela morte de Hsueh. Em nota, a faculdade informou que em dezembro de 2014 reforçou, por meio de três portarias, o veto ao "trote ou qualquer atividade que atente contra a integridade física e moral, além da proibição do comércio e consumo de álcool em quaisquer atividades relacionadas à recepção dos calouros, interna e externa do câmpus".
Além disso, informa a faculdade, "todas as atividades de recepção aos calouros são organizadas e têm proposta detalhada aprovada pela Comissão de Integração da FMUSP".
Segundo a faculdade, também foram criados espaços que dispõem de serviços e programas voltados para o suporte dos alunos. "É uma rede interligada para o acolhimento, providências e acompanhamento, visando ao bem-estar e à integridade de todos que fazem parte da instituição", informa.
Nos últimos anos, a Faculdade de Medicina da USP se viu envolvida em nova polêmica, desta vez relacionada a abusos sexuais em festas universitárias. Em 2014, alunas da unidade denunciaram terem sido estupradas em festas promovidas por estudantes da instituição.
Fontes:
https://istoe.com.br/30303_FARRA+MORTAL/
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff18049914.htm
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff24029901.htm
https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2019/02/23/interna_nacional,1033081/morte-na-usp-faz-20-anos-e-mae-pede-justica.shtml
http://www.sedep.com.br/noticias/morte-na-piscina-usp-no-tem-de-indenizar-pais-do-estudante-edison-hsueh/
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/06/stf-mantem-absolvicao-de-4-pela-morte-de-calouro-da-usp-em-1999.html
https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121932114/stf-arquiva-acao-contra-acusados-de-matar-calouro-da-medicina-da-usp
https://migalhas.uol.com.br/quentes/29779/integra-da-decisao-do-stj-que-trancou-acao-contra-acusados-de-matar-calouro-de-medicina-da-usp-durante-trote-finalmente-e-publicada
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1702200109.htm
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2101200031.htm
https://www.folhadelondrina.com.br/geral/estudantes-processados-por-trote-violento-322778.html
https://www.virgula.com.br/home/legado/na-cola-morte-de-calouro-da-usp-completa-10-anos-sem-nenhum-culpado/
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