Caso #1 - A barbárie de Queimadas
12:00Queimadas é uma cidade de cerca de 42 mil habitantes, que fica a 130 km de João Pessoa, capital da Paraíba,
Em fevereiro de 2012, a pequena cidade do agreste paraibano, estava em clima de celebrações devido a chegada do carnaval… Enquanto seus habitantes planejavam cada detalhe dos blocos de rua que começavam a desfilar, ali, no centro da cidade, dois irmãos tinham um motivo bem diferente para comemorar, e outra tipo de festa para planejar: a festa aniversário de Luciano Pereira dos Santos, de 22 anos
Na manhã do dia 11 de fevereiro, Eduardo Santos Pereira, de 28 anos, irmão de Luciano, finalizava os detalhes de um plano que havia começado a pelo menos 15 dias antes,
Para celebrar o aniversário do seu irmão, ele havia organizado para aquela noite, uma pequena festa em sua residência, que ficava na Rua César Ribeiro, nº 190
Naquela manhã Eduardo pegou uma moto emprestada e saiu para comprar alguns itens e na volta aproveitou para ligar para alguns amigos e amigas convidando para um churrasco que começaria por volta das 19:30 ou 20 horas
Quando a festa começou, as 8 da noite, 7 mulheres estavam presentes
LILHIA, que era mulher de Eduardo, SHEILA, que era namorada de Luciano e Lucivânia; que trabalhava todos os dias na residência como doméstica e foi convidada para a festa pois seu marido era primo de Eduardo, e foi contratado por ele para ficar na churrasqueira da festa assando as carnes,
Uma das primeiras amigas a chegar foi a ex cunhada de Eduardo: a professora Isabela Pajussara , conhecida ali dentro da roda de amigos como “ Ju”. Ao chegar na festa, “Ju” decidiu ligar para sua irmã Priscila e sua amiga, a recepcionista Michele Domingues; que naquele momento estavam juntas num evento da igreja e chamar ambas para curtirem a festa com ela.
Isabela e Michele eram consideradas as belas da cidade, e por se tratar de uma cidade pequena, eles viviam muito próximos da residência dos irmãos, Isabela por exemplo morava a 7 casas dali, e Michele a poucas quadras de distância.
Na casa também se encontrava Joelma, esposa de Diego magro, que era amigo próximo de Luciano, e eles foram convidados no mesmo dia da festa, por telefone, pelo próprio aniversariante.
Neste ponto vocês já conseguem perceber que todos os envolvidos eram parentes ou amigos, o que é absolutamente normal já que se tratava de uma festa de aniversário em uma residência, então aniversário geralmente aqui no Brasil, quando se trata de churrasco, é um motivo para chamar os mais chegados.
Quando Priscila, irmã de Isabela Ju, chegou finalmente a residência, ela já estranhou um detalhe: em todos os churrascos ou festas dadas na residência, os irmãos costumavam deixar o portão da garagem aberto, mas naquele dia ele estava fechado, estando apenas o portão lateral encostado para a entrada dos visitantes
Priscila e Joelma também perceberam que o dono da festa insistia muito para que todos bebessem a todo momento, mesmo que ele não estivesse bebendo, ele passava ali, a todo momento, segurando o seu copo de refrigerante, insistindo como quem não quer nada para que todos seus convidados virassem mais e mais copos de bebida alcoólica.
Esses dois detalhes foram percebidos, porém nenhum deles eram alarmante para o grupo, afinal era uma festa, os donos certamente queriam que todos se divertissem e se soltassem mais. A churrasqueira havia sido montada no corredor lateral, que dava acesso a um dos quartos nos fundos da casa, a musica estava bem alta, as garotas estavam animadas, Isabela dançava, enquanto Eduardo a olhava com uma certa malicia, e fazendo alguns cometários com amigos
Naquele momento, se divertindo com as amigas e a irmã, Priscila nem imaginava que ela seria uma das chaves principais de um dos casos mais bárbaros da paraíba: muito menos que, apenas 3 horas depois do começo da festa, 4 novos personagens apareceriam de repente, transformando uma celebração a vida, num verdadeiro roteiro do horror:
4 homens armados e usando máscaras de carnaval entraram na residência pelo portão que estava apenas encostado, o trancando em seguida, em pouco segundos foi anunciado aos gritos um assalto, dizendo: '‘ninguém reage senão morre’'
Aqui, neste ponto, eu preciso colocar um adendo; Apesar desse caso ter sido conhecido nacionalmente na época, hoje em dia é muito difícil encontrar notícias concretas que criem uma timeline exata sobre o mesmo, durante minhas pesquisas foi muito difícil encontrar uma história que se encaixasse completamente através das notícias publicadas, por exemplo, a maioria dos artigos não são iguais ao relatar quem são os homens que já estavam na festa, nem ao menos o exato número de homens que entraram na casa durante o assalto aquela noite, em algumas matérias aparecem 4 homens, em outras 6, e até 9 homens invadindo a casa foram mencionados, então, como encontrei como única fonte em vídeo um especial sobre o caso feito pela Record, que cria uma timeline básica na qual tomei como ponto de partida para minhas pesquisar e criação da minha própria timeline para contar essa história, e no qual eu usarei alguns áudios extraídos para ilustrar o caso no podcast, eu usarei da premissa do vídeo que foram 4 os invasores daquela noite
Logo a princípio da invasão e do anúncio do assalto, Priscila já sentiu que havia algo diferente ali, durante a abordagem ela percebeu que os assaltantes pegavam muito mais leve com os homens do que com as mulheres, ou seja, enquanto eles gritavam e agrediam as mulheres, com os homens eles eram cordiais e os tratavam normalmente, e em nenhum momento os mascarados os agrediam, como fazia com as mulheres.
Os assaltantes pediram para que os homens que já estavam na festa usassem enforca gatos para prender as mãos das mulheres, e que as vendassem com panos e tiras e as amordaçassem. A energia de dentro da casa foi cortada, enquanto lá fora o som continua ligado tocando musicas evangélicas num volume altíssimo para que os vizinhos não pudessem ouvir que acontecia ali.
Priscila foi amarrada e vendada como todas as outras mulheres, porém ela conseguiu enganar os bandidos omitindo o fato de que, quando ela se mexia, ela conseguia enxergar tudo o que estava acontecendo através de uma fresta na venda.
5 mulheres foram mantidas naquele quarto dos fundos, pertencente a Luciano, o aniversariante, enquanto os outros convidados foram sendo levados para outros cômodos da casa; Diego, marido de Joelma e renato, marido de Lucivânia foram permaneceram trancados e amarrados dentro de um banheiro na casa, Lilhian e Sheila foram trancadas em um outro, e o quarto de Luciano então, se tornou uma espécie de ponto triagem, onde os assaltantes passaram a escolher entre as mulheres ali disponíveis, quem gostariam de abusar
A primeira a ser levada para os abusos foi Isabela Pajussara, a “Ju”,. Priscila, ainda conseguia ouvir sua irmã se debater e ser muito agredida pelos homens, as outras mulheres, quando entenderam o que iria acontecer, também tentaram alguma reação, mas logo foram imobilizadas pelos rapazes, sendo separadas uma a uma e levadas cada uma para um comodo diferente da casa onde foram violentadas e torturadas físicas e psicologicamente.
Priscila também viu quando sua amiga, Michele, também foi levada para o mesmo cômodo onde estava a irmã, no exato momento em que ela mesmo começava a ser molestada por outros dois homens, mesmo com o som alto tocando propositalmente hinos evangélicos para abafar os abusos, e a situação em que se encontrava, Priscila pode escutar as suplicas de sua irmã no quarto ao lado:
“Eduardo, não!”Tanto que eu fiz por você! Não faça isso não! Pare, minha mãe não aguenta isso não”. “
Ao ouvir essa frase Priscila entrou em choque, prontamente ela ligou os pontos e entendeu que o dono da casa estava de alguma forma envolvido, afinal, se ele estivesse ali para ajudar ou como refém, sua irmã não teria dito aquela frase, mas sim pedido ajuda ao amigo,
Priscila já não conseguia mais ouvir a a irmã, dali ela foi arrastada por alguns dos homens para outro comodo da casa: um quarto de criança usado pelo filho de Eduardo, lá Priscila se debatia enquanto era abusada, e no meio desta confusão sua venda se soltou, revelando mais um personagem conhecido por ela nessa trama dos horrores: um dos seus abusadores era Luciano, o aniversariante e irmão de Eduardo.
Ao perceber que foi reconhecido, Luciano ameaça Priscila, dizendo para que ficasse quieta, pois se ela contasse a alguém o que estava acontecendo ali, ele a mataria.
Se Priscila ainda tinha alguma duvida sobre o envolvimento dos donos da casa, naquele momento, toda duvida caiu por terra, ela não tinha mais como negar a participação dos dois irmãos, Priscila teve a coragem de uma sobrevivente para manter seu silêncio sobre o que tinha ouvido da boca de sua própria irmã momentos antes, e prometeu não contar nada sobre a participação de Luciano. No caso, mantendo-se em silêncio.
As mulheres passaram cerca de 3 horas na mão dos estrupadores, 3 horas sofrendo torturas, violência sexual e abusos psicológicos.
Objetos foram introduzidos no corpo de algumas das vítimas enquanto a música de louvor ecoava pela casa,
Os abusadores diziam as mulheres que, se elas denunciassem os estupros ou contassem a alguém o que havia acontecido naquela casa, que eles sabiam onde eles moravam, sabiam onde trabalhavam, sabia quem era da família delas, e que matariam um por um
Após estas 3 horas de horror, os 4 mascarados desaparecem e a luz na casa foi religada. Priscila, assustada, continua no quarto do filho de Eduardo até entender que é seguro sair dali onde se encontrava, ela imediatamente corre pela casa em busca da irmã, encontrando Eduardo na frente da casa, , ele alegava ter conseguido se soltar, religar a luz da casa
Após aquele momento de agonia, Priscila é informada que os Bandidos, após praticarem os abusos, roubaram 5 mil reais que estavam na casa e fugiram levando sua irmã e Michele no carro de uns dos participantes da festa,
Logo também chega a notícia de que Michele tinha sido assassinada durante a fuga a 5 km dali com vários tiros, e que Isabela havia sido encontrada morta no carro em outra localidade, também executada a tiros.
Eduardo e Luciano ainda conversaram com as mulheres, vítimas do estupro, dizendo para que não prestassem queixa, não fizessem exames de corpo de delito, e que não comentassem com ninguém sobre o ocorrido, pois a cidade era pequena, e elas ficariam mal faladas na cidade, que sofreriam preconceito, e atrairiam escandá-lo para si mesmas, que, ao invés disso, fossem para casa, tomassem um banho e esquecessem do que havia ocorrido, não atendessem ao telefone, que eles cuidariam do resto…
Entre 5 e 6 horas da manhã, do dia 12 de fevereiro, o grupo de homens que estavam na festa decidiram ir até a delegacia prestar queixa sobre o assalto,
No boletim de ocorrência consta que a casa foi invadida durante a festa de aniversário, e que as mulheres tinham sido estupradas, e duas delas mortas.
No mesmo dia, a mídia já divulgava a história de 6 homens armados e mascarados que invadiram uma festa de aniversário, cometendo diversas barbáries
Uma matéria publicada no site g1 no dia 12 de fevereiro de 2012, as 9 da manhã diz:
Grupo invade casa durante festa, faz reféns e mata duas na fuga na Paraíba: Mulheres que estavam na festa foram abusadas sexualmente, diz Copom.
Seis homens armados e encapuzados foram os autores do crime, donos da casa foram presos em banheiro.
As contradições entre os depoimentos desses homens, a frieza do grupo e o fato de as duas únicas mulheres que não foram agredidas sexualmente serem esposas dos donos da casa, levaram a polícia a desconfiar da versão inicial, pressionando ainda mais os envolvidos um a um
Mesmo com as mulheres ainda se recusando, por medo, a prestar depoimento, na segunda feira, dia 13, a delegada responsável pela investigação do caso, Cassandra Maria Duarte – delegada titular especializada em homicídios já tinha seu caso todo montado e revelou ao publico todo o roteiro da trama macabra:
O primeiro a contar o que sabia foi um adolescente de 17 anos, que participava na festa, chamado de "Felipe",( nome fictício). Ele foi preso dias depois do crime, ao lado de Eduardo. Felipe diz que ficou sabendo sobre o crime um dia antes do assassinato
e confessa que foi peça fundamental na armação da festa e na execução das duas vítimas,
Segundo Cassandra, o crime que foi planejado por Eduardo com pelo menos 15 dias de antecedência, começou a ser colocado em prática no sábado, quando os dois organizadores da festa convidaram algumas das vítimas para o evento e se dirigiram a um mercado para comprar cordas e lacres do tipo '‘enforca gato’', com o objetivo de amarrar as mulheres e forçar relações sexuais.
O estupro das vítimas seria um presente de aniversário para o irmão dele, Luciano. Os dez homens combinaram que durante a festa de aniversário, três deles apagariam o sistema de energia e invadiriam a casa com máscaras de carnaval se passando por assaltantes para poder render as vítimas e, depois que elas fossem amarradas e vendadas, todos iriam estuprá-las.“
O objetivo da ação era apenas o estupro, mas como a situação saiu do controle, duas mulheres tiveram as vidas ceifadas.
A delegada ainda explicou que Michele Domingues da Silva, de 29 anos, inicialmente não era o alvo. Na verdade, eles queriam ter relações sexuais com Isabela e a irmã dela, Priscila. Isabela foi a primeira a chegar na festa e de lá ficou ligando para a irmã e a amiga, que estavam na igreja
Segundo a delegada: “Elas foram assassinadas porque, durante o ato sexual, Isabela se debateu muito e conseguiu identificar o ex-cunhado dela como um dos estupradores. Ela pediu por socorro, disse que estava vendo que o agressor era o amigo dela e acabou '‘selando’' sua morte”,
Com base nos depoimentos dos presos, a delegada disse acreditar que todos os homens presentes na festa violentariam as mulheres.
Apenas dois deles não estão envolvidos na atrocidade: Diego, chamado de Magro e marido de Joelma, e Renato, primo de Eduardo e Luciano, marido de Isilvânia, que preparava o churrasco. Os dois foram presos num dos banheiros da casa pelos mascarados que simulavam o assalto e ficaram presos ali durante todo o crime.
A brutalidade daquele dia destrói o casamento de Joelma e Magro pouco tempo depois, o casal acabou se divorciando e Joelma fica traumatizada
“Eu não me sinto a mesma pessoa. Sempre quando eu ando é com medo. Eu tenho medo deles saírem e fazerem alguma coisa com a gente”, desabafou
Nos corpos das mulheres foram encontrados sêmen e resíduos de pele nas unhas. A Polícia Civil vai solicitar a colheita de material genético de todos os presos para exames de DNA. No entanto, a delegada diz ter certeza de que, pelo menos, três deles chegaram a ter relações sexuais com as vítimas.
Segundo a Cassandra Duarte. "É uma violência gratuita. Aqui não tem dívida, não tem droga, não tem relação de roubo, nem assalto. Apenas eles queriam elas duas, mas como elas os reconheceram acabaram sendo mortas",
Com relação ao assalto que chegou a ser denunciado à Polícia Militar pelos irmãos, as testemunhas do caso declararam em depoimento que não passaram de uma simulação para que as mulheres fossem estupradas.
A motivação do crime era apenas a vontade de praticar sexo proibido. Vários participantes da festa disseram em depoimento que , mesmo sendo casado com Lhilhian, Eduardo tinha uma tara por isabela, que a assediava e ela sempre negava e recusava suas investidas
As mulheres assassinadas foram executadas com disparo de pistola calibre 40, de uso exclusivo das forças armadas. Uma das vítimas, Michele, foi morta em frente à igreja, no Centro da cidade, com quatro tiros, sendo dois na cabeça. Já Isabele, foi encontrada, dentro do carro utilizado na fuga, na estrada que liga Queimadas a Fagundes. Ela foi morta com três tiros.
Em depoimento Felipe relatou com detalhes os minutos que antecederam as mortes
Segundo Felipe, Luciano teria sido quem abriu o portão para que os homens fugissem com o carro, uma pickup fiat estrada e que Eduardo teria pedido para que ele colocasse as meninas na caçamba do carro, Eduardo teria então trazido armas e a chave de uma moto, pedindo para que Felipe o seguisse nesta moto, para que o trouxesse de volta para a residência após a execução
Eduardo então saiu com a pickup, seguido por Felipe que estava de moto, após dirigir por 5 km Michele teria conseguido então pular do veiculo para escapar da morte. Com o carro em movimento, Michele conseguiu se jogar na calçada e, por um segundo, achou que havia escapado. No entanto, um pedestre assustado pensando se tratar de um acidente de trânsito, dá um grito ao motorista avisando que uma mulher teria caído da caçamba,. Eduardo então dá ré no carro e dispara quatro tiros em Michele. Dois acertaram sua cabeça
O carro então segue em alta velocidade, levando agora apenas Isabele, que acaba por ser executada na estrada que liga Queimadas a Fagundes dentro do carro usado na fuga dos criminosos. Ela foi atingida por três tiros, todos nas genitais, e foi encontrada com uma meia dentro da boca e hematomas pelo corpo.
Os irmãos, Eduardo e Luciano, antes de terem sua farsa descoberta foram ao funeral das vítimas sendo presos durante o velório enquanto acompanhavam o cortejo dos caixões para o cemitério, após a prisão dos dois as mulheres vítimas deste crime tiveram coragem de denunciar o ocorrido, e prestaram depoimentos, o depoimento de Priscila foi a chave principal para a condenação dos acusados. E a elucidação desse crime.
Sete homens, sendo eles: Luciano dos Santos Pereira, Fernando de França Silva Júnior, Jacó Sousa, Luan Barbosa Cassimiro, José Jardel Sousa Araújo e Diego Rêgo Domingues – foram condenados pelos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e estupro, e foram sentenciados a penas entre 26 e 44 anos de prisão em regime fechado no presídio de Segurança Máxima PB1, em João Pessoa.
• Luciano dos Santos Pereira – 44 anos de reclusão
• Jacó Sousa – 30 anos de reclusão
• Fernando de França Silva Júnior – 30 anos de reclusão
• Luan Barbosa Cassimiro – 27 anos de reclusão
• José Jardel Sousa Araújo – 27 anos de reclusão
• Diego Rêgo Domingues – 26 anos e seis meses
Eduardo dos Santos, por ser considerado o mentor dos crimes, foi julgado separadamente em júri popular. O caso foi transferido da comarca de Queimadas para João Pessoa após solicitação do Ministério Público e da defesa do acusado. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça entendeu que essa determinação permitiria uma decisão imparcial, uma vez que os jurados não eram o da cidade onde o crime aconteceu
Em setembro de 2014, Eduardo dos Santos foi considerado culpado por dois homicídios, formação de quadrilha, cárcere privado, corrupção de menores e porte ilegal de arma, além de cinco estupros. Por estes crimes, ele foi condenado a 106 anos e 4 meses de reclusão. Além disso, ele recebeu uma pena de 1 ano e 10 meses de detenção pelo crime de lesão corporal de um dos adolescentes envolvidos no crime.
Três adolescentes também foram julgados e sentenciados a cumprir medidas socioeducativas no Lar do Garoto. E posteriormente foram liberados após cumprimento da medida
É quase impossível não esbarrar com a família dos acusados e com os acusados que foram soltos em uma cidade de cerca de 42 mil habitantes. Se a Justiça condenou os sete acusados a pagarem suas penas em prisões de segurança máxima, os participantes da Barbárie condenaram as famílias de Michele e Isabela ao enclausuramento da dor.
Infelizmente as Famílias das vítimas não se recuperaram, inclusive sendo ameaçadas por parentes e amigos dos acusados.
Segundo Maria José, a mãe de Michele Domingues, desde o dia do crime os familiares deixaram de se reunir para datas comemorativas. Nas palavras dela:
“Sempre que chegava a época de natal, réveillon e São João, ficamos tristes, pois são momentos de família que não temos mais. Ficam as lembranças boas da pessoa que minha filha era, mas, por outro lado, é difícil superar a lembrança ruim do crime. Eu sempre lembro da minha filha”, disse ela.
O irmão de Michele, Elvis Domingos, também não esquece a dor. Ele adquiriu um transtorno de ansiedade após perder Isabela. “Não sei explicar como é viver isso, nem desejo isso ao pior inimigo viver isso. É uma dor inexplicável. Pra mim até hoje a ficha não caiu direito. Eu evito conversar sobre isso. Adoeci depois disso por fugir de tudo. Quando eu passo naquela rua, eu me sinto muito mal. As pessoas querem ouvir de nós alguma coisa sobre isso, mas é o momento da justiça. Agora foi ele (Diego), daqui a pouco serão todos os outros. E em algum momento, eles vão voltar pra cá”, acredita.
Depois do crime a situação ficou ainda mais delicada com a mãe de Izabela Pajuçara. Desde a morte da filha, Maria de Fátima Montei saiu da casa onde morava e ficou na residência de outra filha e não saia mais. Apena no mês de novembro do ano passado ela voltou a sair de casa, por recomendação médica, devido a uma doença por falta de mobilidade.
Após o crime, Isania, uma das irmãs de Isabele começou a desenvolver um trabalho em Queimadas para ajudar mulheres que foram violentadas e para aquelas que têm medo de denunciar os casos., ela usou toda a experiência da busca por Justiça para ajudar a evitar que outras mulheres sofram violência e auxiliar aquelas que já foram agredidas de alguma forma.
Com a morte da irmã, Isania sofreu, mas não desistiu de lutar para que os responsáveis pelo crime fossem punidos. Mesmo com lágrimas nos olhos, ela buscou órgãos de atendimento às mulheres, organizou caminhadas em diversos pontos do estado, procurou movimentos feministas e de mulheres, tudo para que a Paraíba não esquecesse as mulheres de Queimadas.
Não preciso nem dizer o reboliço que esse caso de estupro coletivo causou no país, e com muita razão
O departamento de justiça da cidade lançou uma determinação proibindo o uso de máscaras durante o período carnavalesco em Queimadas naquele ano, a prefeitura divulgou uma nota oficial cancelando os festejos no município. Segundo o comunicado, a suspensão do evento aconteceu em respeito à família e amigos da recepcionista Michele Domingues da Silva,, e da professora Isabela Pajuçara Frazão Monteiro,
A proibição do uso das máscaras foi requerida à Justiça pelo promotor Márcio Teixeira. “Em Queimadas, todo ano temos problemas de criminosos usando máscaras de carnaval”, disse o promotor, que explicou que muitas pessoas usam máscaras de papangu para não serem identificadas quando cometem crimes.
A prefeitura também se solidarizou com as outras pessoas presentes no evento que foram abusadas sexualmente. Na nota, a administração do município trata os crimes como uma “barbárie”.
Em setembro daquele ano integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional, que investiga a violência contra as mulheres no Brasil e apura denúncias de omissão por parte do poder público com relação ao problema, estiveram em Queimadas para estudar o caso dos estupros e assassinatos e traçar políticas de proteção à mulher no país.
Os integrantes da CPMI conversaram com parentes das vítimas e com manifestantes em favor da não violência contra a mulher que estavam na cidade para reivindicar justiça no caso. Testemunhas e vítimas do crime também foram ouvidas em uma audiência.
Diversos grupos feministas fizeram protestos e pediram medidas mais efetivas no combate a violência contra a mulher
No final de 2020 o Caso da barbárie de queimadas voltou a mídia quando Jacó Sousa, que tinha sido condenado a 30 anos de prisão pelo crime, e havia cumprido apenas oito deles no presídio de Segurança Máxima retornou a Queimadas, após ter recebido liberdade condicional e foi assassinado
Em uma madrugada, jaco estava numa barraquinha de espetinho, bebendo com alguns amigos, quando homens chegaram ao local por volta das 3h da manhã. Eles efetuaram vários disparos e executaram Jacó, que morreu no local antes mesmo da chegada do Samu
As duas linhas principais de investigação desse crime são essas: ou vingança por conta do caso, ou algum problema registrado nos oito anos que ele permaneceu preso
Alguns meses após a execução de Jacó, infelizmente voltamos a ouvir também sobre Eduardo nas notícias
Condenado a 108 anos de prisão, Eduardo fugiu da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes (PB1), em João Pessoa, no último dia 17 de novembro. A informação sobre a emissão de um alerta nacional para as polícias de todo o país foi divulgada e a Interpol foi chamada para ajudar nas buscas, d.
De acordo com o secretário-executivo da Administração Penitenciária, João Paulo Barros, a fuga aconteceu entre 19 h e 20 h. O preso fugiu pela porta lateral que dá acesso ao almoxarifado.
O almoxarifado é uma das vias que dá acesso à parte externa do presídio e, após o sumiço da chave, a porta foi encontrada semiaberta, trancada apenas externamente.
O policial penal que estava com a chave teria deixado-a em cima de um balcão ao qual o presidiário tinha acesso, pelo fato de trabalhar na cozinha do presídio. O agente foi indiciado por facilitação da fuga de preso e responderá em liberdade. A polícia investiga se a ação foi combinada ou se tratou-se apenas de um descuido do agente com a chave.
Até agora Eduardo não foi recapturado















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