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MUDAMOS DE SITE!!!
Era quase de madrugada quado o telefone tocou no posto da Guarda Civil de Horche, que fica na província espanhola de Guadalajara.
Do outro lado da linha, Um morador se queixava do mau cheiro vindo de uma casa vizinha em seu condominio
Por volta da 1h da manhã, vários agentes chegaram à rua de Los Sauces, onde ficava a entrada do condomínio La Arboleda, situado na periferia de Pioz, um pequeno povoado de cerca de 3.500 habitantes, localzado na Espanha.
O mau cheiro e a falta de resposta de dentro da casa levaram os guardas a abrir a porta usando uma cópia da chave que um dos vizinhos tinha.
A casa era no estilo chalé, cercada de vegetação, e por dentro estava quase vazia, praticamente não havia móveis, não havia sinais de vida , não tinha comida… era mesmo como se fosse apenas um esconderijo temporário e não uma habitação onde poderia viver uma familia … porém , mais adentro, em um canto desolado, podia se perceber seis volumes misteriosos.
Quando os policiais se aproximaram puderam ver que esse volumes eram seis sacos plástico grandes, desses usados para ensacar lixo, empilhados um sob o outro na principal sala de estar da casa, e era inegavelmente dali que vinha o terrível cheiro de morte
Ao abrir um desses sacos ,os policiais encontraram o tronco de um homem de aproximadamente 40 anos e em outro encontraram seus outros membros.
Dividido entre outros dois sacos, podia se encontrar o corpo esquartejado de uma mulher que aparentemente tinha mais ou menos a mesma idade do homem
E em mais dois sacos, estava os cadáveres completos de dois menores, um menino de 5 anos e uma menina de 1, ambos degolados.
“Assassinos profissionais. “Essa foi uma das primeiras conclusões dos investigadores ao observar a cena: segundo eles, aquilo era um trabalho para mais de uma pessoa, os assassinos teriam usado “um cutelo ou um machado”para cometer o crime e “Fizeram um trabalho minucioso.” Além disso, foram extremamente cuidadosos na hora da fuga.
“Entre as poucas coisas encontradas na casa, havia restos de documentos das vítimas que foram propositalmente destruídos e que tiveram que ser reconstituídos pedaço por pedaço, para que conseguissem checar sua origem.”
Esse outro detalhe mostrava que: quem quer que seja que tenha comitido essa barbárie, estava preocupado tanto em não deixar provas quanto em dificultar a identificação de suas vítimas.
Situação essa que explica por que a confirmação da identidade do casal veio do Brasil, e não da Espanha, afinal o estado dos corpos foi descrito como de “brutal deterioração”, depois de passarem pelo menos um mês em sacos plásticos.
O fato de as fechaduras das portas não estarem forçadas levaram os investigadores a acreditar que os assassinos entraram na casa sem violência. Os policiais supunham que As vítimas conheciam seus algozes e os deixaram passar, e pelo tipo de morte e pela “limpeza” da cena do crime, intuiram que poderia se tratar de “um ajuste de contas, provavelmente por drogas”, e os autores da chacina pareciam ter experiência nisso.
A equipe que trabalhou no caso acreditava ter uma resposta para o fato da casa estar quase sem mobília, os investigadores acreditavam que “a família estava fugindo ou estava se escondendo”. E o estado de decomposição dos cadáveres indicavam que “estavam mortos havia pelo menos um mês”.
Aparentemente, “pela documentação encontrada por eles, tratava-se de uma família brasileira, um casal e seus dois filhos, mas os exames de DNA é que confirmariam suas identidades posteriormente.
Foram os familiares das vitimas que entraram em contato com o consulado do Brasil em Madri e com o Ministério de Relações Exteriores brasileiro para tentar saber se eram seus parentes.
Do outro lado do mundo, com as malas prontas, Walfran Campos Nogueira esperava o irmão retornar a ligação para acertarem a viagem para a Espanha.
Walfran estava com tudo pronto para viajar, inclusive a passagem estava comprada para o dia 23 daquele mês, e a ansiedade pré viagem já tomava conta e ele então passou a mandar várias mensagens pro irmão para combinar os ultimos detalhes, mas o irmão apenas visualizava essas mensagens e não as respondia.
Uma reportagem. A ligação de um amigo. Uma pesquisa na internet.
Walfran tinha planos em voltar a viver com o irmão e a cunhada, Janaína, e os dois filhos pequenos do casal, como sempre: afinal eles já tinham morado juntos em A Coruña e Múrcia. Desta vez todos planejaram ir para uma casa de quatro quartos, com piscina e segurança em um complexo de condominio. Seu irmão tinha enviado fotos da casa, cujo aluguel seria dividido entre os dois. A mesma casa que viu na edição digital do EL PAÍS em João Pessoa (Paraíba) na segunda-feira 19 de setembro de 2016, depois de ficar sabendo através da ligação de um amigo, que a imprensa local estava noticiando que uma família brasileira com duas crianças , de quatro e um ano tinha sido esquartejada na Espanha. A imagem dessa casa…. da piscina.. todo esse cenário na tela do computador confirmou seus piores temores:
“Meu irmão, minha cunhada, meus sobrinhos”.
Todos eles: decapitados, esquartejados e enfiados em sacos plásticos há mais de um mês, tempo em que não teve nenhuma notícia deles.
De acordo com Walfran: “A última vez que falei com ele foi por WhatsApp, me contou como era a casa nova, estava feliz que eu estava indo e que minha mãe e minha irmã iam passar o Natal aqui com a gente. Ele tinha decidido que seu objetivo era trabalhar em uma casa funerária, um trabalho tranquilo que paga bem, e parar de ganhar míseros mil euros por mês com os quais não dava para nada”,
Esse ultimo contato foi no dia 16 de agosto de 2016. Dias antes de ser assassinado, como determinaram depois as evidências.
Marcos não aguentava ficar muito tempo no mesmo lugar. Era uma pessoa com pretensões de grandeza, acostumado a viver acima das suas possibilidades:
Seu irmão dizia que ele não sabia administrar bem o dinheiro. Ia acumulando dívidas. Certa vez Marcos Pediu um empréstimo a um banco para montar um café em A Coruña e fracassou, então se meteu no negócio de construção e também deu errado, no final sempre acabava trabalhando de churrasqueiro em algum restaurante brasileiro, ganhando mil euros por mês e um horário dividido que o obrigava a passar as horas mortas com pessoas as vezes de indoles duvidosas
Em uma entrevista para o jornal El Pais, Warfran disse: “Meu irmão tinha muitos sonhos, queria ganhar dinheiro, mas as coisas não davam certo e mil euros não eram suficientes para seus sonhos”.
Walfran, naquela altura, ja com mostras de falta de sono e cansado, achava que ele poderia ter se metido em alguma confusão feia por dinheiro e suspeitava que “os monstros que o mataram desse modo selvagem não devem estar mais na Espanha, mas quem deu a ordem para que fizessem isso, ainda está”.
Ele ainda Insistia que a Guarda Civil “deveria procurar pistas nos locais de trabalho de Marcos. A última cadeia de restaurantes em que trabalhou, de acordo com seus familiares, era o restaurante Che, de origem argentina.
Marcos Nogueira se movimentou bastante pela Espanha. Primeiro viveu, em duas temporadas, em Corunha (Galícia), trabalhando numa padaria, segundo afirmaram seus compatriotas na cidade. Entre um período e outro voltou ao Brasil. Depois trabalhou em Múrcia e em Valência, aparentemente como camareiro. Em seguida tocou um restaurante em Valladolid e por fim trabalhou em outra casa de comida brasileira em Alcalá de Henares, enquanto viviam em Torrejón de Ardoz e depois em Pioz, para onde tinham se mudado somente dois meses antes, com um contrato de aluguel assinado por ele mesmo em meados de julho por 500 euros (cerca de R$ 1.800) por mês.
Definitivamente, Marcos tinha problemas econômicos e, embora seu irmão não tenha dado detalhes para não atrapalhar a investigação , ele não acredittava que a familia fugia de alguém, e achava que a casa de Pioz era mais um esconderijo que outra coisa por ser longe de tudo.
De acordo com Walfran, que era o mais velho dos dois irmãos em uma família de seis órfãos de pai, Marcos “saía dos empregos porque não aguentava o gerente, ou porque não davam aumento, pelo menos era isso que contava”.
Ele chegou a voltar para viver no Brasil em 2012 “pela crise na Espanha e porque tinha conhecido a Janaína pela Internet”.
A família de Janaína, os Diniz, é conhecida em João Pessoa.
O pai de Janaína tem um pequeno império de concessionárias de automóveis. Ela e marcos se casarm no Brasil em 2013. Depois foram para a Espanha, junto com sua primeira filha
Dívidas.
Essa palavra ecoa quando se fala do objeto desse impiedoso crime quádruplo. Janaína tinha pedido mil euros para sua família recentemente, supostamente “para ir ao dentista e, especialmente, para pagar os dois meses de fiança pedidos para o aluguel”, segundo conta um parente.
E esse mesmo parente afirma que Marcos se aborreceu quando soube que ela tinha pedido dinheiro a seus familiares, “porque , segund ele, iam achar que ele não era capaz de manter a própria família”.
Os investigadores consideravam as “contas pendentes” de Marcos. E pensam também nos “feios negócios ligados ao narcotráfico”, um obscuro nicho no qual pressoras desesperadas recorren para afogar o desespero e conseguir dinheiro fácil e rápido. Mas também é um ninho de assassinos, como os que parecem ter desejado encerrar essas contas de uma vez por todas, “com seu próprio método”, cometendo um massacre.
Nos próximos dias o caso entrou em segredo de justiça, ao mesmo tempo em que foi feita a descoberta de um quinto parente que também estava morando anteriormente com as vitimas na espanha: alguém que não havia dado sinais de vida, e que tampouco havia denunciado o desaparecimento de seus parentes, e que além do mais havia fugido para o Brasil assim que os cadáveres foram descobertos, Eis que entra em cena Patrick Nogueira...
François Patrick Nogueira, aos 19 anos, já tinha antecedentes criminais
Ele afirmava que teve uma infância difícil, que foi intimidado e provocado por colegas de classe, na escola, e que desde os 10 anos de idade começou a beber, a ponto de se considerar um viciado em álcool.
Durante a declaração, Patrick falou que “se defendia de forma violenta” do bullying e da perseguição dos colegas de classe e que, por causa do álcool, viu “sombras” e “imagens distorcidas da realidade”.
Quando Patrick tinha 16 anos, um professor de biologia foi ferido por ele com dois golpes de canivete, dentro de sala de aula, em um colégio particular em Altamira. Toda a ação foi resgistrada pelas câmeras do circuito interno.
Nas imagens, o professor aproxima-se da carteira do estudante. Neste momento, patrick retira um canivete da cintura e logo em seguida atinge o professor no pescoço e no abdômen. Alguns alunos percebem a agressão e correm assustados. Outros tentam deter o estudante.
Patrick então foi apreendido e levado para a delegacia de Altamira, por tentativa de homicídio. Ele relatou à polícia que queria apenas dar um susto no professor porque ele teria feito brincadeiras em sala de aula. O professor foi levado para o Hospital Municipal e sobreviveu.
Patrick, dois anos depois, chegou à Espanha, estimulado por seu tio Walfran para tentar se tornar um jogador de futebol de elite. Entrou na equipe de futebol de Torrejón e se inscreveu na academia. No entanto, apesar de treinar diariamente, em cinco meses não tinha nenhum amigo. “Todas as relações dele se baseavam no benefício que obtinha delas; na verdade, estava sozinho, e sua única conexão era a família”, Todos se lembram dele como uma pessoa introvertida, que “ficava na dele”.
Até chegar à Espanha, na casa do tio Marcos Campos, uma das quatro vítimas da chacina, Patrick Gouveia havia morado na Inglaterra e em Portugal. Nos dois países, chegou a fazer testes, passou por avaliações nos clubes locais, mas uma lesão no joelho o impediu de dar continuidade à carreira.
Após a frustração, distante da família, Walfran, ex-atleta profissional e mentor de Patrick em busca do sonho de ser jogador, fez o que qualquer parente faria. Pediu a Marcos que recebesse Patrick, que ajudasse o garoto no tratamento do joelho na Espanha. E foi nesse momento que “começou toda a tragédia”, como afirma Walfran Campos.
O garoto carinhoso e prestativo à família, como descreve o tio ex-jogador, mudou de comportamento no período em que passou a morar na Europa.
Marcos chegou a comentar com a família no Brasil em mensagens de áudio, que vieram a público após serem divulgadas por uma rádio espanhola no dia 3 de novembro de 2016, que estava desapontado e preocupado com Patrick.
A relação de Walfran e Patrick sempre foi próxima. Quando pequeno, era comum Patrick procurar o tio, então jogador de futebol, para pedir que ele o ajudasse em seu sonho. Walfran Campos, naquela altura, havia jogado no Botafogo-PB, Campinense, Ceará e passado um período de três anos no futebol português. O sonho de infância se tornou em um desejo palpável na juventude, apesar da vontade da família em tornar Patrick médico, assim como seu pai. Walfran conta que por conta disso, demorou a ajudar o sobrinho na questão, porque sabia que o futebol era uma área menos estável que a medicina.
Patrick chegou a treinar futebol em João Pessoa, após deixar o Pará, mas o sonho no mundo da bola não passava pelo Brasil. O jovem queria construir uma carreira na Europa. Em um clube inglês. Obcecado em concretizar a carreira como jogador, Patrick só avisou que viajaria para Europa, para fazer testes nos clubes ingleses, quando já havia comprado as passagens de avião. A pedido da irmã, mãe de Patrick, Walfran foi até o apartamento em que o jovem estava morando, em João Pessoa, um dia antes da viagem rumo a Londres.
Walfran explica que Soraia, mãe de Patrick, estava preocupada com a decisão do filho e pediu que o irmão aconselhasse, que ajudasse o jovem a se encaixar na empreitada, nas palavras de Walfran: Ele decidiu do nada, da noite para o dia, ir embora. Não avisou a ninguém, nem a mim, nem a ninguém. Quando eu descobri da sua viagem para a Europa, eu fui até a sua casa. Minha irmã me ligou. ‘Wal, vai ao apartamento que Patrick está indo embora e não avisou a ninguém. Os pais dele estavam no Pará e ele ia embora sem avisar a ninguém”
A conversa entre os dois aconteceu horas antes do embarque, marcado para meia-noite daquele dia. Segundo Walfran, foi na noite da conversa que antecedeu a ida de Patrick para Europa, que ele acabou conhecendo Marvin Henriques Correia, um amigo do sobrinho . O irmão de Marcos conta que notou um comportamento estranho por parte de Marvin e que chegou a alertar a irmã, Soraia, sobre a amizade dos dois.
“Eu achei esquisito o comportamento dele nesse dia. [Marvin] era um cara totalmente esquisito, sinceramente. Até comentei isso com a minha irmã. Falei ‘poxa, teu filho tá com um cara lá no apartamento com um comportamento esquisito’. Eu não o conhecia, passei a conhecer nesse dia. Eu achei esse cara muito louco. Ele junto com Patrick rindo do nada, uma coisa muito esquisita”, relatou Walfran.
Naquele dia, o tio, ex-jogador, orientou que Patrick fosse direto para Portugal, por ter amigos no país, pessoas que poderiam ajudar o jovem a se encaixar em algum clube. Mas Walfran conta que Patrick tinha o objetivo fixo de iniciar a carreira na Inglaterra, por ser fã do futebol inglês, por ter o sonho em fazer parte da categoria de base algum clube de lá.
Os testes foram feitos, mas o jovem não se encaixou. Uma lesão do joelho o atrapalhava. Talvez o clima frio londrino, completamente oposto ao tropical paraibano, ou as más condições de treino, , prejudicaram Patrick nas avaliações feitas nos clubes ingleses.
Sem alternativas, ele procurou o tio, seu mentor no futebol, e decidiu seguir o conselho inicial. Arrumou as malas e foi para Portugal, onde o parente havia jogado por três temporadas e conhecia mais pessoas.
Em terras portuguesas, Patrick chegou a integrar um time na Ilha da Madeira, na cidade de Funchal, mas a lesão no joelho voltou a impedi-lo, e aos poucos o jovem via o sonho cada vez mais distante. “Ele se desesperou. Porque ele queria ser jogador e via que o sonho ia complicando cada vez mais por conta do joelho. Ele era um garoto novo, com 18 anos, um metro e oitenta, talvez um pouco mais, de boa estatura. Tinha qualidade para chegar, tinha chance, mas o joelho atrapalhava”,
Para seguir acreditando na carreira nos campos, Patrick precisava tratar a lesão. O joelho doía, não permitia que treinasse. E foi neste momento, vendo que o pupilo não tinha opção além de procurar acompanhamento médico, impotente pela distância de um oceano atlântico, que Walfran recorreu a única pessoa que poderia dar apoio e entender o problema que o sobrinho passava: Marcos Campos, seu irmão, tio de Patrick, que naquela altura vivia ao lado, na Espanha.
Uma ligação telefônica entre Walfran e Marcos, um pedido de ajuda ao sobrinho de ambos, tudo isso acabou dando início a um relacionamento que culminou na morte do próprio Marcos e de sua família: Janaína Américos e seus dois filhos, David e Maria.
Ao falar pela primeira vez sobre a possibilidade de receber Patrick, Marcos chegou a dizer “Patrick é meu sobrinho. Eu o amo, faço isso por ele, por minha irmã, pelo meu cunhado. Pode mandar ele vir”.
Com a ajuda de Walfran, Marcos e Patrick trocaram mensagens, se encontraram e moraram juntos por cerca de quatro meses. Um convívio relativamente curto, mas suficiente para que o jovem despertasse motivos para executar tios e primos.
Pelo que conta Walfran Campos, não foram somente as portas da casa que tinham sido abertas, ou ainda o carinho familiar oferecido, Marcos ajudou Patrick a superar a frustração com o futebol. Tentou encontrar um emprego no período em que o jovem não podia jogar bola devido à lesão no joelho. “Era muito difícil por ele não ter a documentação. Mas mesmo assim, Marcos ainda conseguiu, por alguns dias, trabalho para Patrick no restaurante onde ele trabalhava. Para que ele ganhasse um extra e ocupasse sua mente. Para que não ficasse o dia todo com a mente vazia dentro de casa”
E difícil identificar o exato momento no qual ocorreu a mudança de comportamento que transformou a viagem para Europa em busca do sonho de se tornar jogador de futebol na jornada de execução e esquartejamento de um casal e duas crianças, a família que acolheu e ajudou seu próprio algoz.
Instabilidade emocional reconhecida pelos parentes no Brasil. Frustração pela lesão e pela carreira natimorta. Indisposição com os familiares que tentaram ajudá-lo a superar o revés. O tio herói de Patrick preferiu não se arriscar a entender o que teria passado pela cabeça do então pupilo no dia 17 de agosto na pequena casa de Pioz.
Segundo os agentes, várias evidências os fizeram suspeitar que Patrick era o autor dos crimes, entre elas o fato de que ele parou de ir para academia, que frequentava diariamente, imediatamente nos dias após a data do crime, 17 de agosto de 2016. Além disso, os agentes ficaram surpresos com a saída rápida de Patrick da Espanha para o Brasil, dias depois que os corpos foram achados.
No depoimento, os policiais informaram que imediatamente rastrearam o cartão de passagem do réu e descobriram que ele viajou da cidade de Alcalá de Henares, onde morava, para Pioz, no dia 17 de agosto de 2016, voltando para Alcalá no dia seguinte. Os dados triangulados do celular do jovem o colocava em Pioz no dia dos crimes.
Outro detalhe relatado pelos peritos que garantiram a suspeita em Patrick desde o início da investigação foram manchas de sangue no chão da residência em Alcalá de Henares, onde Patrick dividia apartamento com outras pessoas, que prestaram depoimento na quinta-feira (25). Parte das manchas foram localizadas por cães policiais, escondidas em uma parede que havia sido pintada recentemente.
Um dos ex-colegas de trabalho de Marcos Campos, que prestou depoimento como testemunha indicada pelo Ministério Público, contou que Marcos havia confessado que achou uma troca de mensagens entre a esposa e Patrick no celular de Janaína e que desconfiou de uma relação entre os dois.
Esta testemunha trabalhou com Marcos por alguns meses em 2015. Ele disse que após esse episódio, Marcos queria se afastar de Patrick, e que "embora desconfiasse do sobrinho, não acreditava que ele teria más intenções contra sua pessoa".
Outro ex-colega de trabalho de Marcos reconheceu que a vítima desconfiava do sobrinho. Ele relatou que o pai da família confessou que Patrick "tinha visões e ouvia vozes", e que por isso a filha de Marcos, a também vítima Maria Carolina, de 4 anos, "tinha medo dele".
Janaína dizia a parentes que Patrick estava sempre criando problemas, que era uma pessoa que não se comovia, era muito frio”, ele passava o dia trancado em seu quarto, não cooperava em nenhuma tarefa doméstica e mostrava desprezo pelas crianças. “Um dia, quando a pequena Maria estava chorando, Patrick disse a Janaína que talvez pegasse as crianças e as deixaria na praça para ver se congelavam de frio ou se alguém as levaria”
Em outra ocasião, Marcos chegou a enfrentar o sobrinho ao vê-lo andando pela casa de cueca. “Ele disse para vestir as roupas, pois morava com a mulher e os filhos pequenos e que não era essa a maneira de se comportar em casa”.
Os parentes de janaina diziam que ela nunca insinuou que Patrick pudesse estar obcecado por ela.
São quatro mensagens de áudio feitas por Marcos Campos e enviadas para a família no Brasil, explicando a mudança da casa de Torrejón para a de Pioz, cidades na região de Madri. Nas gravações, Marcos diz estar decepcionado com Patrick e que o jovem apresentava um comportamento diferente do que ele conhecia no Brasil. Em um dos áudios, Marcos dá detalhes da mudança de Patrick após ir morar na Europa.
O tio do suspeito explica à família no Brasil que o jovem preferiu não se mudar com os tios e primos para Pioz.
Ainda de acordo com as gravações publicadas pela imprensa espanhola, Marcos Campos relata que havia combinado com o sobrinho de buscá-lo poucos dias depois da mudança. Mas, ao tentar falar com Patrick, não conseguiu contato por telefone, nem na casa onde residiam. A proprietária da casa informou a Marcos que Patrick Gouveia havia ido para um hotel.
Por fim, Marcos Campos lamenta a falta de notícias do sobrinho e comenta que Patrick só o procurava quando acabava o dinheiro que o pai mandava.
Confira a transcrição dos áudios de Marcos Campos sobre Patrick Gouveia
Gosto de ser mau
“Eu te digo hoje, de todo o coração, hoje eu recebo Patrick, e atendo Patrick, e escuto Patrick por Soraia e François. Porque Patrick me decepcionou muito. O Patrick que a gente conheceu, que a gente conheceu aí no Brasil não tem nada a ver. Ele disse para Janaína antes da gente se mudar, ‘eu sou uma pessoa má. Eu tenho uma carinha de bom, mas eu não sou uma pessoa boa, não, eu sou uma pessoa má. Eu gosto de ser mau”.
Mudança
“Já que eu me mudei na sexta-feira, e chamei Patrick para ir comigo. E ele disse ‘tio, eu não vou hoje, não. Vou dormir hoje aqui em Norma [dona do local onde a família morava antes de Pioz], onde a gente vivia na habitação, e sábado ou domingo eu vou para onde o senhor está indo morar. Eu falei ‘então, está certo’. Eu me mudei na sexta, fui sozinho, levei as malas. Eu, Maria, Janaína e David. E ele ficou. Eu fiquei de pegar ele no sábado ou no domingo, só que eu trabalhei sábado, domingo e segunda. E na terça-feira eu fui para pegar ele. Quando cheguei na terça-feira ele não estava. Disseram que ele tinha ido para um hotel. Não deixou nenhum bilhete para mim. O único bilhete que tinha sido deixado foi o rapaz que vive lá ou foi Norma, que deixou um bilhete em cima da mesa avisando que ele tinha ido para um hotel”.
Ligações
“Aí eu liguei segunda e terça para ele. Em todos os dias mandei uma mensagem de voz, para saber onde ele estava, o que tinha acontecido, para ver se levava ele lá para onde a gente estava morando. Ele não me respondeu, tava com o telefone apagado, como se tivesse bloqueado para receber minhas chamadas. Não sei por quê. E não recebeu e não me devolveu até hoje, não me chamou, não mandou nenhuma mensagem para mim”.
Espera por notícias
“Não sei, vou esperar para ver se ele liga, o que é que aconteceu como ele, para saber porque é que ele não me atende o telefone. E como ele está tranquilo, está recebendo dinheiro, está comendo fora. François está mandando dinheiro, por isso ele não me procura, claro. Não está precisando. Agora, quando aperta um pouquinho, ele vem, me procura, me chama, para ver o que acontece, né?”
Desde que tinha 12 anos, o paraibano Patrick Nogueira convivia com a sensação de que algo de grave iria truncar sua vida de repente. E esse dia chegou em 17 de agosto de 2016, quando pegou um ônibus para a localidade espanhola de Pioz com a intenção de matar a facadas seu tio, a mulher dele e dois primos. Não houve lugar para improviso nessa chacina. Ele chegou a pesquisar na Internet qual seria o método mais rápido para eliminar os quatro parentes.
“Como matar alguém em três segundos?”, Teria Patrick digitado num site de buscas, segundo fontes da investigação.
A campainha da casa número 594 da rua Los Sauces tocou por volta das quatro da tarde no dia 16 de agosto de 2016. Naquele momento, só Janaína Santos e seus dois filhos, Maria Carolina, de quatro anos, e David, de um ano, estavam em casa. “Foi algo preparado. Ele chega quando sabe que Marcos não está. Porque sabia onde seu tio trabalhava e a que horas chegava”. A tia abriu a porta e se deparou com o jovem, que tinha comprado duas pizzas minutos antes. Com absoluta “frieza”, , Nogueira os convidou a comer. E assim fizeram. Almoçaram juntos no jardim, como prólogo da série de assassinatos que o acusado estava a ponto de cometer.
A primeira vítima foi Janaína. Enquanto ela lavava os pratos na pia, Nogueira se aproximou pelas costas e ficou a seu lado. Então, de surpresa, esfaqueou-a no pescoço. Sem que ela tivesse tempo de perceber nada. “Aí ele vai atrás de seus primos. E, com a mesma faca, também corta o pescoço deles”, “Patrick, enquanto vai cometendo estes fatos, ainda Dedica o tempo livre a mandar selfies e mensagens de WhatsApp ao seu único amigo, Marvin Henriques Correia, de 18 anos, que está no Brasil.
E, se as fotos já são assustadoras, os comentários são mais ainda. Porque ele escreve mensagens cômicas, zombando. Nas mensagens ele diz a seu amigo: ‘As crianças não correm quando vou matá-las’ e ‘As crianças se agarram enquanto vou matá-las’”.
“Ele ria das crianças porque não corriam!”,
Depois, ele se senta para descansar. Patrick limpa o chalé com água sanitária para que seu tio, não suspeitasse de nada. Inicialmente ele planejava enterrar a tia e os dois primos com uma pá que havia comprado por 60 euros (200 reais). Depois, diante da dificuldade de cavar no concreto, opta por esquartejar os corpos e guardá-los em quatro sacos de lixo grandes.. Toma banho. “Comenta para seu amigo Marvin que está com fome e que vai fazer um sanduíche de atum”, Termina de esfregar o chão. Já são 19h. Ainda faltam quatro horas para que o tio chegue do trabalho.
“Quando deu 18h45 eu ainda estava enxaguando o chão. Estou feliz”, gaba-se.
Depois, o brasileiro sai para o jardim, onde fica esperando seu tio. Espera durante horas. “Tranquilamente. Com total frieza”, acrescentou o ministério público. Até que Marcos Santos chega, depois da dez horas da noite. Os dois conversam por meia hora antes de entrar na casa. O tio entra primeiro e o acusado vai atrás. “Atrás, atrás, atrás”, repete o advogado de acusação, acrescentando que nesse momento é desfechado o ataque.
“‘Eu estava cara a cara com ele quando enfiei a faca’, escreveu Patrick depois em uma mensagem”, Marcos Santos também foi esfaqueado no pescoço. Patrick queria cortar a jugular para que o tio perdesse o sangue rapidamente”
Os psiquiatras descrevem Nogueira como um psicopata típico. Um sujeito que não está louco e distingue entre o bem e o mal com uma frieza que lembra o caso de Javier Rosado, autor de um horripilante crime cometido em 1994 na Espanha, que ele próprio narrou com detalhes em três páginas de um caderno. “É notável o quanto um idiota demora a morrer”, disse Rosado em seu diário, desprezando a vítima, que ele chamava de “a presa”.
O paraibano Patrick manifesta ao amigo Marvin a sua insatisfação por não ter conseguido resolver a chacina de uma só vez. O problema é o tio, que ainda estava no trabalho. Nas palavras dele “Chega aqui às 22h. Estou com fome. E esse viado não chega. Está tudo seco. E ter que sujar outra vez… Voltar a partir o corpo pela metade outra vez… Colocar os órgãos numa sacola… Depois limpar….”, conta ao amigo por WhatsApp. “Espero não falhar matando esse merda”, acrescentou em outra mensagem, que incorporava o link de um texto sobre “quanto tempo um corpo leva para se decompor” Seu amigo, no Brasil, acompanha com expectativa.
Marcos Campos, o tio, chega em casa às 22h15 e encontra o sobrinho, desafiador. “Olha só... Agora é a sua vez”, lhe diz, conforme apurou este jornal. Depois o esfaqueia no corredor. “Pelo menos meu tio é mais leve que a mulher dele. Mulher gorda da porra. Achei que era um homem, kkk”, conta ao amigo.
“Se me prendessem aqui eu não me importaria”
“Voltar a partir o corpo pela metade outra vez… Colocar os órgãos numa sacola… Depois limpar….”, queixou-se o assassino ao seu único amigo
O jovem pernoita no chalé, descansando, mas acordado. Descarta a ideia de fugir às 4h da madrugada pelo matagal. Teme ser descoberto pelo segurança do condomínio. Tem consciência do que fez. E se mostra preocupado em ir parar numa prisão brasileira. Volta a pegar o celular. “Aí me estuprariam 30 vezes. E depois apagariam uma vela no meu cu. Kkk. Se me prendessem aqui eu não me importaria… Ficaria vendo TV até os 80 anos”, diz a Correia, a quem – conforme contou às autoridades brasileiras – estava unido havia três anos por laços de amor, “mas não de homossexualidade”.segundo ele mesmo
Quando amanhece, Nogueira pega um ônibus com direção à localidade de Alcalá de Henares, nos arredores de Madri, onde divide apartamento com uma jovem brasileira e dois espanhóis. Chega levando um saco com chaves, um celular, luvas, fita adesiva, toalhas e tecidos manchados de sangue. Dias depois se desfaz dos utensílios numa lixeira. Joga-os em dias alternados, para não despertar suspeitas.
Morar num apartamento compartilhado não era a sua primeira opção. Mas foi a consequência do ultimato dado pelo tio Marcos, que ameaçou denunciá-lo por estar irregularmente na Espanha se não fosse embora da casa da família. Alguns meses antes, o assassino e as vítimas haviam morado juntos em Torrejón de Ardoz, também perto de Madri. Os pais do rapaz, residentes no Brasil, queriam que seu filho deixasse para trás uma vida turbulenta em João Pessoa para ser acolhido pelos parentes na Espanha.
Mas a convivência com os tios acabou sendo vulcânica. Conforme declarou o pai de Janaína, Wilton Diniz, em depoimento à polícia paraibana, “sabíamos que Patrick tinha esfaqueado um professor em 2013 e que tinha comportamentos estranhos, como andar nu pela casa”. Esse dado se soma à chave oferecida aos investigadores espanhóis pelo chefe de Marcos na churrascaria onde ele trabalhava, em Alcalá de Henares. Na opinião dele, seu funcionário “estava desequilibrado e pensava de forma obsessiva que sua esposa estava lhe traindo com seu sobrinho Patrick”.
“Não foi um impulso. Premeditei alguns dias antes”, confessou o criminoso aos investigadores.
Os cadáveres só foram encontrados um mês depois. E, dois dias depois da descoberta, Nogueira se mandou num voo para o Brasil. O chalé dos seus familiares se transformou num monumental set de televisão. E todos os olhares apontavam para ele, um rapaz de boné, de 20 anos, que jogava futebol em Torrejón de Ardoz e passava as tardes grudado no game Call of Duty.
A única pessoa na Espanha de quem Patrick se despediu foi Borja, o homem que havia lhe alugado um quarto. Para ele Patrick escreveu: “Estou no Brasil. Meu tio foi assassinado… A imprensa diz que fui eu… Desculpe não ter te avisado...”
Uma jovem que dividia apartamento com Patrick Nogueira na Espanha também prestou depoimento e disse que o réu era obcecado com o tio. A testemunha contou que chegou a morar com Patrick entre junho e agosto de 2016. Segundo ela, eles se davam bem, saíam para beber às vezes e dividiam as tarefas domésticas sem problemas.
A testemunha reconheceu que em várias ocasiões Patrick se referia ao tio como uma pessoa má. Segundo a ex-colega de apartamento, Patrick “era muito obsessivo com o tio e o insultava”, e que sempre que alguém os visitava, ele falava de Marcos.
Ainda de acordo com a jovem, Patrick sempre foi uma pessoa “feliz e brincalhona” com ela, e que nunca notou um comportamento agressivo por parte dele. A primeira vez que percebeu algo estranho foi no dia 18 de agosto, data que seria um dia depois dos crimes.
Ela voltou de férias e passou algumas horas na casa em que dividia com Patrick antes de viajar para Badajoz por três dias e ao chegar notou a casa desarrumada, haviam garrafas de bebidas espalhadas na mesa, vômito no banheiro, pratos sujos na pia e que o réu estava trancado no quarto.
No dia 28 de agosto, quando ela voltou de Badajoz, notou que Patrick continuava estranho. Ela relatou que quando foi se mudar, ele não a ajudou com a mudança, como havia prometido, e ao se despedir, disse que era a última vez que eles iam se ver.
Ainda conforme esta testemunha, Patrick sempre falou que teve problemas com a bebida desde criança , mas que todas as vezes em que saíram para beber, ele nunca chegou a passar dos limites.
Durante seu périplo brasileiro, o rapaz voltou a se encontrar com Marvin Correia, também como voltou a beber e a fumar.
Seu amigo contou posteriormente à polícia paraibana que respondeu às mensagens do assassino por “curiosidade” e porque não queria “que Patrick fosse preso”. Correia chegou a ser detido, mas foi posto em liberdade sem ser indiciado pouco tempo depois
Ainda de acordo com os policiais, a participação de Marvin Henriques foi confirmada após um amigo dele ter acesso ao seu celular e encontrar fotos dos corpos da família Nogueira esquartejada, imagens que teriam sido enviadas pelo próprio Patrick via aplicativo de celular.
O celular do amigo de Patrick foi encaminhado para a Polícia Federal, que após exames técnicos, confirmou que se tratavam de imagens verídicas e feitas pelo principal suspeito de matar e esquartejar Janaína, Marcos e as duas crianças em uma casa em Pioz, na região metropolitana de Madri, na Espanha.
Um adolescente brasileiro de 17 anos, identificado apenas como Victor, foi quem entregou os registros do crime à Polícia Federal no Brasil.
Ele recebeu, quase que por acaso, o telefone celular onde estavam registros de conversas que Patrick teve com um amigo, Marvin Correia, enquanto cometia os crimes que chocaram a Espanha, em 2016.
Victor trabalhava em uma assistência técnica, onde Marvin, deixou seu celular para consertar, alguns dias depois do crime, em 2016. Para dar um desconto no preço a Marvin, ele pediu o aparelho emprestado. O combinado era que ele consertaria o celular por um preço menor se marvin emprestasse a ele o aparelho por alguns dias.
De início, o adolescente disse que não encontrou os registros, mas notou que na lixeira do celular havia registros de imagens. Foi só quando ele instalou o Whatsapp no aparelho que ele conseguiu ver tudo.
Segundo victor: "O aplicativo baixou todas as mensagens antigas. Foi quando vi e li tudo. Vi os corpos cortados, vi Patrick com o cadáver de um homem, li algumas conversas e entendi que meu amigo estava envolvido de alguma forma"
Durante alguns dias, ele não soube o que fazer. Então conversou com uma amiga, que foi à Polícia Federal relatar o caso.
Victor ainda levou um susto quando recebeu uma visita de Patrick, que havia voltado ao Brasil, e Marvin. No julgamento, ele contou que até hoje tem medo do jovem que matou seus familiares.
Ainda , segundo victor, os jovens ainda fizeram perguntas a ele "Ele me perguntou se eu achava que ele teria cometido o crime e eu perguntei por que pensaria isso. Foi por medo mesmo, foi uma surpresa vê-los ali e eu tive receio que me fizessem alguma coisa porque eu tinha as provas", afirmou.
Com o registro do crime no celular, Patrick acabou confessando que matou e esquartejar o tio Marcos, 41, a tia Janaína Santos Américo, 40, e os dois filhos do casal, Maria Carolina, 4, e David, 1.
Marvin chegou a se encontrar pessoalmente com Patrick pelo menos duas vezes em João Pessoa, segundo a polícia.
A conversa entre os dois acusados registrada pela polícia espanhola entre as 15h55 do dia 17 de agosto até as 6h57 do dia 18 do mesmo mês, ambos horários da Espanha, consta tanto no processo judicial que tramita no Brasil, referente à atuação de Marvin Henriques como partícipe, quanto no processo na Espanha contra Patrick Gouveia, assassino confesso.
No conteúdo das mensagens, Patrick relata com detalhes como matou a tia e dois primos. Marvin pergunta qual das três vítimas ele matou primeiro e Patrick responde que “na mulher, depois a mais velha (se referindo prima de 3 anos) e depois no moleque de um ano”.
Com frieza, Patrick Gouveia conta que cortou a garganta de Janaína e que seus primos ficaram gritando nesse momento. “As crianças ficaram gritando. Massa que os pirralhos nem correm, só ficam ‘travadão’. O pirralho de um ano falava algumas coisas, mas na hora falava nada, não”, detalhou Patrick.
Durante a conversa, Marvin se mostra compreensivo com o amigo e chega a dar dicas, como o fato de Patrick tentar enterrar os corpos e na forma de abandonar o casa onde a família foi assassinada.
“Sai pela frente mesmo, de manhã, como se fosse caminhar ou algo do tipo. Sei lá. De madrugada pode parecer suspeito. Mas eles não vão descobrir nem tão cedo as mortes”, comentou Marvin.
De João Pessoa, por meio do aplicativo de mensagens, Marvin alerta Patrick em não deixar rastros na cena do crime. “Ajeita essas luvas direito. Deixa eu ver aqui o que mais. Tem alguma coisa por aí? Ou alguma coisa que ligue a você?”, após a resposta negativa de Patrick, o amigo acusado de participação no crime de Marcos Campos Nogueira responde.
“Beleza. Então está tranquilo, mas tem que ficar pensando minuciosamente, para não dar merda”, conclui Marvin. Em um outro momento, enquanto espera o Marcos retornar do trabalho, após matar a tia e os primos, esquartejá-los e limpar o local dos assassinatos, Patrick comenta que achou que fosse vomitar, mas que não sentiu nojo e chegou até a rir no início do esquartejamento e, por fim, a ter raiva pelo esforço de esquartejar as vítimas.
O assassino confesso explica que precisou cortar os corpos ao meio e separar os órgãos em outras sacolas. Por fim, após isolar em sacos plásticos, isolou as partes com fita adesiva, para que o odor demorasse a espalhar. “A mulher e as duas crianças foram para o saco. Estão guardados e a casa está limpa, me limpei. Estou só esperando o quarto integrante”, comentou Patrick a Marvin.
O Fantástico reproduziu algumas das mensagens, como aquela em que o suposto assassino narra ter chegado à casa trazendo pizzas, como se estivesse fazendo um visita de cortesia; que conversou com Janaína dos Santos, mulher do seu tio Marcos, antes de matá-la em primeiro lugar; a suposta sequência dos assassinatos e como os dois amigos discutiram maneiras pelas quais Patrick, poderia apagar as pistas do crime e fugir do chalé de Pioz sem despertar suspeitas.
Marvin Henriques Correia, de 18 anos, foi detido na Paraíba como suposto colaborador do crime.
O pai de Marvin Henriques Correia, Percival Henriques, concedeu entrevista ao Correio Online nesta terça-feira (01) e contou como era a relação dos dois amigos. Ele traçou o perfil do filho. “Não quis fazer medicina, como a mãe, porque não conseguia ver sangue”, e do assassino confesso, François Patrick Nogueira Gouveia. De acordo com ele; “Patrick Era um rapaz inteligente, estudante de direito, acima da média. Até dizia para meu filho se espelhar nele”. Percival Henriques também comentou como foi à conversa entre os dois jovens e quando foi o último encontro deles e aponta o erro do filho. “Ele errou ao não contar nada para policia e para mim e alimentar uma curiosidade mórbida”, disse.
No depoimento dado à Polícia Civil, Marvin afirmou que não procurou a polícia por medo de Patrick Gouveia.
Ainda de acordo a Polícia Civil, o estudante confirmou a participação no homicídio, no entanto, não tinha noção da dimensão do que aquela conversa com Patrick poderia causar.
A polícia diz que Marvin não pode ser extraditado e deve responder processo no Brasil.
A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba chegou a decretar a prisão preventiva de Marvin Henriques Marvin, porém pouco depois esse mandado foi revogado e voltou para casa onde cumpria medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e impedimento de se ausentar da Comarca sem autorização judicial. “A Justiça acatou um pedido da defesa, após revisar o decreto e entender que não há motivos para a prisão”,
Essa não foi a única confusão em que Marvin se meteu, posteriormente ele foi acusado de ter estuprado uma menor de 13 anos, enquanto ele mesmo tinha 18 anos
Marvin em 2020, foi preso em uma cela isolada no Complexo Penitenciário Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, em Jacarapé. A decisão foi da juíza Francilúcia Rejane de Souza, atendendo a um pedido da defesa que requereu que o jovem tivesse a integridade física preservada. Walfran disse em uma entrevista que um dos motivos dele ter voltado a cadeia foi o fato de ter mexido em sua tornozeira eletrõnica.
Ele ainda aguarda julgamento sobre seus atos
Os dois acusados, na correspondência, se declaram um ao outro. Patrick comenta que precisava compartilhar o fato com alguém, mas que tinha medo de perder o amigo caso relatasse algo sobre os três primeiros homicídios: “Eu estou feliz que tu está de boa (sic). Eu fiquei com medo de tu dizer ‘boy, acabou’. Eu tenho medo de te perder, mas eu não podia não compartilhar contigo”, desabafou Patrick.
Marvin então envia uma mensagem rindo e chama o amigo de assassino. Patrick responde com uma reflexão. “Eu pensei que ia mudar algo na minha vida . Eu pensei que ia me sentir mais vivo”. O amigo responde explicando que não podia fazer nada, que ele era doente mesmo. Em outra troca de mensagens, os dois afirmam que amam um ao outro.
Patrick Gouveia, foi enquadrado por psiquiatras espanhóis como uma "pessoa desprovida de empatia", um psicopata com risco de reincidência e criminoso com alto grau de periculosidade. A revelação foi feita pela TVE, emissora do país europeu, após ter acesso ao laudo psiquiátrico de Patrick Gouveia, anexado ao processo que tramita na Justiça.
O exame psiquiátrico também classifica Patrick como uma pessoa consciente do que faz, muito inteligente e com total carência de sentimentos. Segundo os psiquiatras, o jovem possui uma absoluta falta de empatia e se mostrou incapaz de se colocar no lugar das suas vítimas. A análise de sanidade mental de Patrick foi solicitada pelo Ministério Público espanhol.
Os psiquiatras forenses estiveram com ele durante três sessões. O exame será uma das provas periciais para decidir a plena responsabilidade penal de Patrick Gouveia nos assassinatos do tio Marcos Campos Nogueira, da esposa dele, Janaína Santos Américo, e dos dois filhos pequenos do casal.
Em 2018 A Justiça espanhola condenou à prisão perpétua o brasileiro François Patrick Nogueira Gouveia, que admitiu ter matado dois tios e dois primos em 2016 . A prisão perpétua é a punição mais grave existente na Espanha, e pode ser revista a cada 25 anos. Patrick foi condenado à pena três vezes: pelas mortes dos primos e de Marcos. Pelo assassinato de Janaína, a punição é de 25 de anos prisão, segundo o jornal espanhol "El Mundo".
O julgamento ocorreu entre 24 e 31 de outubro. Mais de 65 pessoas prestaram depoimento no júri, entre eles familiares do assassino e das vítimas, policiais que trabalharam na investigação do crime e médicos e psicólogos forenses.
O júri declarou que Patrick Nogueira matou os tios e primos com intencionalidade, sem considerar qualquer defesa.
Tanto o Ministério Público espanhol como a acusação particular tinham pedido a prisão perpétua revisável. A defesa de Patrick Nogueira, por sua vez, recorreu e pediu a reclusão do réu por 25 anos alegando danos cerebrais que o colocavam em condição de doente.
Seeu fosse contar cada detalhe do julgamento e do recurso, daria um novo episodio para este podcast
Ele pegou a pena máxima em todos os aspectos, foi 9 votos a 0, foi 20 anos por cada assassinato, ou seja, ele pegou 80 anos, sendo que o limite de prisão máxima na Espanha são 40 anos. A prisão perpétua revisável é que a cada 20 ou 30 anos vão revisar se ele tem condições de estar na rua, sair da prisão. Mas, de acordo com os médicos forenses e com todo o histórico, provavelmente ele não saia, sendo de 30 a 40 anos o mínimo pra ele ficar na prisão, então ele não vai sair antes disso", explicou Walfran Campos, tio do assassino.
Em 2020 A Justiça espanhola manteve a condenação a três penas de prisão perpétua do brasileiro Patrick Nogueira Gouveia, por ter matado o tio e dois primos em 2016 na cidade de Pioz,. Patrick também foi condenado a uma quarta pena, de 25 anos de prisão, pelo assassinato da esposa do tio dele, na mesma ocasião.
A nova sentença foi divulgada pela Segunda Câmara do Supremo Tribunal da Espanha , após negar o recurso da defesa de Patrick de que todas as penas fossem reunidas em uma só condenação.
A Suprema Corte negou o recurso e entendeu que “não faria sentido que a morte de três ou mais pessoas fosse punida com a mesma penalidade da morte de uma só pessoa”, e que não acredita que esta decisão viola o princípio jurídico que impede condenar uma pessoa duas vezes pelo mesmo crime, uma vez que foi levado em conta a idade das crianças para determinar o crime como homicídio qualificado, já que elas não tinham chances de defesa contra Patrick.
Além desta decisão, a Justiça espanhola também confirma a condenação de Patrick para que pague uma indenização de 411.915 euros (R$ 2.468.411,83, em conversão direta), para a família das vítimas, assim como ao proprietário da casa onde o crime aconteceu. Neste último caso, para cobrir as despesas que o dono teve pela limpeza e reparos no imóvel.
A curiosidade desse ultimo julgamento é que Patrick apareceu no julgamento quase irreconhecivel, e assustadoramente quase identico a Marvim, seu tio, walfran afirma que os dois continuaram mantendo uma amizade até hoje
Fontes:
https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/05/05/justica-espanhola-mantem-prisao-perpetua-para-brasileiro-que-matou-familia.htm
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/01/internacional/1475321168_347825.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/23/internacional/1474632459_204503.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/18/internacional/1474204103_726612.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/20/internacional/1476989898_254598.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/05/politica/1475654350_470617.html?rel=mas
https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/um-ano-apos-chacina-na-espanha-mae-e-avo-de-vitimas-e-de-acusado-lamenta-sofro-todos-os-dias.ghtml
https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2018/10/26/chacina-de-pioz-policia-suspeitava-de-patrick-desde-o-comeco-dizem-agentes-em-juri-na-espanha.ghtml
https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2018/10/25/vitima-de-chacina-em-pioz-desconfiava-de-relacao-da-esposa-com-o-assassino-diz-testemunha.ghtml
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/24/internacional/1540390070_925455.html
http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2016/11/vitima-de-chacina-na-espanha-revela-em-audios-preocupacao-com-suspeito.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/09/internacional/1486659213_963422.html
http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2016/11/preso-por-chacina-na-espanha-foi-europa-pelo-sonho-de-jogar-futebol.html
https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2018/10/25/vitima-de-chacina-em-pioz-desconfiava-de-relacao-da-esposa-com-o-assassino-diz-testemunha.ghtml
http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2016/10/preso-na-pb-deu-dicas-whatsapp-suspeito-de-chacina-na-espanha.html
https://correiodaparaiba.com.br/cidades/policial/pai-de-marvin-henriques-desabafa-o-erro-do-meu-filho-foi-nao-ter-contato-nada-a-policia-sobre-mortes-na-espanah/
https://www.youtube.com/watch?v=-6s2GyDp7Ug&list=PL3hOvxWBLDr9agCw0TzWf9A1hlW90TB4D&index=70
https://www.youtube.com/watch?v=LBeEFAOo5Bs
https://www.youtube.com/watch?v=r-4cBr-lzWA&list=PL3hOvxWBLDr9agCw0TzWf9A1hlW90TB4D&index=67
https://www.youtube.com/watch?v=jwwsoOoulyo&list=PL3hOvxWBLDr9agCw0TzWf9A1hlW90TB4D&index=69
https://www.youtube.com/watch?v=fvxlVmLhVuA
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Quem presta vestibular em um faculdade publica, já tem em mente que o tradicional trote para calouros vem incluido no pacote: Aquela festa animada, que comemora a chegada dos novos estudantes e os parabeniza por terem passado no vestibular.
"Ovos, farinha, sacos de lixo…" , ingredientes simples fazem parte destas cerimõnias
A cena parecia até banal. Oito alunos. Todos da turma 86 da Faculdade de Medicina da USP. Elaboravam uma lista de compras para a celebração daquele dia...
Alguém que os visse naquele instante, jamais poderia supor., mas ali começava a ser construído o roteiro de uma morte. A morte de Edison Tsung-Chi Hsueh, de 22 anos
Logo que acordou, no dia 22 de fevereiro de 1999, Edison vestiu uma calça jeans e uma camiseta, calçou um tênis, colocou uma bermuda roxa na mochila, pegou um caderno e seguiu feliz para a avenida Doutor Arnaldo, no bairro de Pinheiros, onde fica a faculdade, para o seu primeiro dia de atividade acadêmica.
Ele Sabia que uma sessão de trotes o aguardava, mas não estava preocupado. Ao contrário, estava orgulhoso porque finalmente poderia realizar o sonho de ser cirurgião e tornar-se médico como muitos em sua família. Afinal, na semana anterior tivera uma prévia do que poderiam ser as brincadeiras e as imaginava divertidas. Na matrícula tivera o corpo pintado com tinta guache, a cueca rasgada, os cabelos raspados e, em um descuido de um veterano com a tesoura, ele acabou tendo um corte no rosto.
Ele ficou em um estado tão deplorável que sua mãe, a comerciante Hsueh Yen Yin Hwa, teve de apanhá-lo de carro. Edison tinha motivos para estar de bem com a vida. Depois de três anos cursando Medicina na Santa Casa, havia passado no vestibular para a concorrida USP e conseguiu livrar-se de uma mensalidade de R$ 1.080, que pesava no orçamento da família. ( nos valores atuais, essa mesma faculdade tem uma mensalidade de mais de 7 mil reais),

As 7 horas da manhã, os calouros assistiram à aula inaugural no teatro da faculdade. após as palestras do diretor e de representantes da Associação Atlética e do Centro Acadêmico, todos os que estavam presentes foram avisados de que não precisariam participar do trote caso não desejassem., mesmo assim quase todos aderiram ao ritual. .
Quem não quisesse participar poderia sair pela porta dos fundos e quem se habilitasse, pela frente. Quarenta calouros se recusaram. Cerca de 140 toparam participar.
As roupas que não poderiam manchar, as mochilas, os documentos e os objetos de valor foram colocados em um saco preto etiquetado com o nome do dono e entregues aos diretores da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, que eram alunos do terceiro ano que administram o clube.
A maioria dos novatos ficou de bermuda ou short. Logo que saiu, Edison foi amarrado com barbante a outros quatro calouros. Em seguida eles tiveram o corpo e as roupas pintados com tinta e violeta genciana e a cabeça coberta por farinha de trigo e ovos.
Amarrados, eles seguiram para a frente da faculdade e sentaram em uma das pistas atrapalhando o trânsito por cinco minutos.
Quando o relógio marcava aproximadamente meio-dia os veteranos os encaminharam ao clube onde teria início um churrasco.
Durante o trajeto, algumas brincadeiras questionáveis foram feitas. Uma delas simulava uma partida de boliche. Um calouro, geralmente mais obeso, era obrigado a rolar em direção aos colegas e derrubá-los. Outros tiveram de fingir praticar sexo com uma árvore
Para que não entrassem sujos na piscina, os veteranos davam banhos com mangueiras de água nas calouras e as veteranas nos calouros, os esfregando com buchas.
Os novatos desceram a escadaria em "L" que leva à arquibancada da piscina e foram convidados a beber um variado coquetel de destilados e fermentados enquanto tinham de aprender hinos e palavras de ordem que têm como tema a rivalidade com outras faculdades de Medicina, especialmente a Escola Paulista e a Santa Casa.
Aliás, Edison teve o nome "Santa Casa" pintado nas costas e seus colegas que tambpém vieram de outras escolas de Medicina foram estigmatizados da mesma forma. Em um determinado momento os calouros foram jogados na água. Dois calouros relatam que, devido ao grande número de pessoas, aqueles que estavam na frente eram empurrados para dentro da piscina
Edison não foi visto perto da piscina. O calouro Wagner Hernandez foi, provavelmente, a última pessoa a falar com ele. Os dois conversaram brevemente na aula inaugural. E voltaram a se encontrar no trajeto entre o bosque e a arquibancada, até se desemcontrarem novamente
Porém Edison era um dos que estava entre os mais de cem alunos que entraram na água. E o único que não saiu. O corpo do rapaz foi encontrado apenas na manhã seguinte.
Por volta das 12h30, havia cerca de 300 pessoas dentro da piscina,s lavagem de mangueira pelo que os calouros passaram anteriormente só havia retirado a cama em excesso de tinta, e a tinta restante começou a se desprender dos corpos dos alunos, deixando a água completamente turva.
Por volta das 14h30 um temporal tomou conta do céu e obrigou os estudantes a sair rapidamente da piscina. Em torno das 16h30, após a chuva, não havia mais ninguém na água. Em compensação, não dava para enxergar nada no fundo, tal a sujeira deixada pelos estudantes. Neste momento, o pessoal estava todo no Caveirinha, nome dado ao menor dos dois ginásios cobertos da Atlética, tomando cerveja, comendo churrasco e ouvindo música tecno e forró em alto volume. Alguns estudantes estavam embriagados, mas nenhuma briga foi registrada. Apesar da chuva ter mandado muita gente para casa, a festa ainda durou até por volta das 18 horas, regada a muita bebida e acesso livre a piscina.

Conforme o dia passava, não muito longe dali, o engenheiro civil Hsueh Feng Ming , pai de Edson, estava reocupado porque escurecera e o filho não chegava em casa, o pai imaginou que Edison esquecera-se do horário porque estaria com os novos colegas, jogando xadrez, e decidiu dar este espaço ao filho , que , devido a dedicação aos estudos, não tinha muito tempo para se divertir
Após o corpo ser descoberto, às 7h30 do dia seguinte pelo funcionário Luiz Carlos dos Santos, o clima na Atlética ficou pesado, poucos acreditavam na possibilidade de agressão no trote.
Eram 8h20 de 23 de fevereiro de 1999, quando a polícia chegou. Retirado da água pelos bombeiros, encontrava-se imobilizado sobre o piso cimentado na margem de uma piscina no fundo do Clube Osvaldo Cruz. O perito anotou: cabelos pretos e lisos, oriental, cerca de 1,75 metro, compleição física mediana. Era Edison Tsung Chi Hsueh
Poucos acreditavam na possibilidade de agressão no trote. A maioria dos envolvidos nessa trama apostava na hipótese de ele ter voltado sozinho às imediações da piscina e, provavelmente alcoolizado, ter escorregado e caído na água, o que foi descartado posteriormente pelo exame toxicológico que detectou que Edison não ingeriu nenhuma bebida alcoólica.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML), que levou quase dois longos meses para ser divulgado, falando em "minutos de agonia e luta" antes da morte, caiu como uma bomba na Atlética.

A primeira providência da diretoria foi proibir todos os funcionários de comentar o assunto, especialmente com a imprensa. Muitos acham que o menino pode ter sido jogado na água à força, como em geral os veteranos fazem com os calouros, e outros estudantes tenham caído em cima dele, mantendo-o no fundo e provocando os ferimentos revelados pelo laudo.
Por esta versão, o calouro teria permanecido no fundo da piscina e ninguém teria percebido. Isto vai de encontro ao relato que alguns alunos deram ao delegado que cuida do caso, Marcelo Guedes Damas, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
"Estudantes contaram que receberam caldos e que quando tentavam voltar à borda da piscina tinham as mãos pisadas pelos veteranos, impedindo que eles saíssem da água", afirmou. Pouco depois das 17h, um funcionário jogou um produto químico na piscina para decantar a água. Não notou nada de anormal, mas não tinha como enxergar o fundo.
Ainda segundo o depoimento dos estudantes, era grande a quantidade de bebidas na festa. Pinga Pitu, Malibu, uísque, vodca, Contini, Martini e muita, muita cerveja gelada, tudo de graça, pago pela Atlética. Muitos alegam que foram para casa entre 15h e 16h30, uma vez que a animação foi diminuindo após a chuva. E é justamente aí que começa o mistério sobre a morte de Edison. Nenhum aluno sabe dizer o que aconteceu depois da chuva. Muitos se disseram surpresos quando o corpo de Edison foi encontrado na manhã seguinte.
O delegado Damas tem informações de que a festa transcorreu até as 18h e uma hora depois alguns alunos nadaram na piscina. Até as 23h ainda tinha um grupo treinando handebol no clube. Na polícia, aproximadamente 100 alunos – entre calouros e veteranos – intimados a depor afirmaram, sempre acompanhados de Guilherme Batochio, advogado contratado pela Atlética e pelo centro acadêmico para defendê-los, em uníssono que nada viram e nada sabem. Defendem-se a si mesmos e a seus pares em um explícito espírito de corpo dizendo que o trote não foi violento e que ninguém os obrigou a nadar ou a beber. E se calaram evidenciando um pacto.
A promotora Elaine Passarelli suspeita que, durante o trote, o rapaz foi espancado e jogado na piscina. E alega:
"Ouvimos dezenas de participantes, todos negaram e agora me fazem acreditar ainda mais, com o laudo, que decidiram acobertar os assassinos num pacto", diz ela. "O que houve foi uma recomendação da diretoria da faculdade para que eles não falassem num primeiro momento para que suas declarações não fossem distorcidas", contrapõe Batochio, negando a existência de um pacto.
A versão dada pelos estudantes no DHPP, porém, começou a ser desmontada quando a mãe de um calouro que preferiu não se identificar ligou três dias depois da morte para o ouvidor da polícia, Benedito Domingos Mariano, para contar que seu filho e os colegas foram obrigados pelos veteranos a ingerir bebida alcoólica, muitos inclusive chegaram a passar mal e ainda foram ameaçados se contassem algo à polícia. O Ministério Público teve acesso a prontuários de atendimento no pronto-socorro do Hospital das Clínicas onde vários estudantes foram atendidos por ter exagerado no consumo de álcool, segundo as promotoras Elaine Passarelli e Maria Amélia Nardy Pereira, designadas para acompanhar o caso. Mais de 50 relatórios escritos de próprio punho pelos calouros sobre a festa, obtidos pela polícia, também desmontam a versão coletiva sobre o trote ter sido "light"
Os estudantes ficaram em uma situação ainda mais delicada depois que um vigia do clube prestou depoimento. afirmando que recebeu um telefonema às 4 horas de um aluno veterano perguntando se estava tudo bem por ali, a promotora então pediu a quebra do sigilo telefônico de um grupo de estudantes para fazer o cruzamento das informações, mas este aluno ele negou que tenha feito a chamada
As promotoras do caso prometeram indiciar todos os alunos que estavam na festa por homicídio depois que o laudo mostrou que Edison, que não sabia nadar, morreu entre 12h e 16h, portanto no auge da festa, vítima de asfixia mecânica por afogamento. Os legistas encontraram vários ferimentos. O documento assinado pelo médico Carlos Delmonte aponta ainda que houve luta na piscina antes da morte. O laudo trouxe à tona a certeza que Ming e sua mulher carregavam desde que enterraram o filho em uma cerimônia budista. "Ele foi espancado até morrer
Além de Ming, as promotoras que cuidam do caso também desconfiavam desde o início de um crime por conta das omissões dos estudantes. "Os relatórios mostram ainda o poder intimidatório dos veteranos sobre os calouros. Desde o dia da morte, o assunto virou tabu nos corredores e nas salas de aula da Faculdade de Medicina.
Um estranho silêncio envolve esses futuros médicos. A atitude correta seria incentivar a apuração e não negar as evidências de homicídio. Edison faria parte de uma elite. Sua morte, contudo, rebaixou a turma de calouros de 1999 – e seus veteranos violentos – a um bando marcado para sempre pelo corporativismo cego.
A timeline que conta os eventos daquele faditico dia, foi criada através de depoimentos e cartas escritas por calouros , em uma iniciativa iniciada pela professora de clínica geral Maria do Patrocínio Warth, Ela convenceu os alunos a pôr no papel tudo o que viveram naquela data
Primeiro, fez-se um documento conjunto, datilografado e aprovado por um grupo de 35 alunos. Depois, em reunião com 127 alunos, os calouros foram estimulados a escrever, de próprio punho, relatos individuais, anexados posteriormente ao documento coletivo.
Os testemunhos como que dividem o trote em três fases. Nas duas primeiras -dias 8 e 9, durante a matrícula, e na manhã do dia 22,
Um dos alunos descreveu assim a atmosfera que o envolvia: "(...) acho que foi como no Carnaval, quando pessoas bebem e às vezes as festas acabam em tragédia".
Foi nesse cenário que os sonhos de Edison submergiram. Seu nome é mencionado em três das 68 cartas. Em uma delas está anotado: "A última vez que vi o Edison foi no momento em que todos estavam à beira da piscina (...)"
Segundo relatos de seus familiares, Edison não sabia nadar. Por que, então, foi parar no fundo de uma piscina que não dá pé, como se diz, nem nos seus pontos mais rasos? É o que se perguntam todos.
Novamente, as cartas dos calouros oferecem pistas:
1) "Veteranos (...) obrigaram uma caloura, que não sabia nadar, a entrar na piscina. A caloura avisou que não sabia nadar. Mas mesmo assim teve de entrar na piscina, coagida. Ela foi retirada da piscina por outros veteranos."
2) "Alguns veteranos bateram nas mãos ou no (ilegível) de calouros que descansavam na borda da piscina com chinelos e com baquetas de bateria, obrigando-os a se dirigirem para o meio."
3) "(...) Em certos momentos, (os calouros) se apoiavam na borda da piscina. Alguns veteranos pisavam nas mãos dos calouros, intimidando-os a permanecer na água (...)"
4) "(...) Havia mais de cem pessoas na água (...)"
5) "O que deveria ter sido feito, e não ocorreu, era um aviso sobre a profundidade da piscina."
6) "Talvez tenha faltado um salva-vidas numa piscina tão profunda."
7) "Havia muitos alunos alcoolizados, uma piscina funda e ninguém responsável para vigiar."
8) "A junção de pessoas alcoolizadas, com aquela piscina do lado, foi uma abertura para acidentes."
Houve quem elogiasse a recepção. "No geral, o trote foi leve, sem abusos, sem violência e sem bebidas", anotam os alunos em um trecho do relato coletivo.
"Os dois dias foram inesquecíveis para mim. A alegria está na minha memória, apesar da fatalidade ocorrida", diz um dos relatos individuais. "Sinto-me obrigado a agradecer pela boa e animada recepção, apesar de tão infeliz acidente", acrescenta outro. "O trote não deve ser extinto, visto que serve como um rito de passagem tão necessário ao ser humano", diz um terceiro relato.
A essa altura, a situação já havia fugido ao controle da chamada "comissão de trote" dos veteranos, a quem competia coibir abusos.
Há, entre os papéis obtidos pela Folha, um documento assinado pelos oito integrantes da comissão de trote. Eles afirmam que, após o banho de mangueira, os calouros foram liberados para participar de churrasco organizado previamente. "A partir desse momento, não estavam mais sob as orientações da comissão."
Embora a família de Edison esteja convencida de que ele foi assassinado e a polícia investigue a sério a hipótese de homicídio, a comissão de sindicância constituída na USP achava que não havia elementos que permitam conclusões definitivas.
Para a usp, era certo que:
1) Edison morreu afogado. O laudo da necropsia não deixa dúvidas a esse respeito;
2) Não há sinais de agressão prévia à sua queda na piscina.
O corpo apresenta escoriações e manchas. As primeiras, conforme explicações dos responsáveis pelo laudo à comissão, devem ser decorrência do período em que Edison se debateu debaixo d'água, tentando salvar-se. Quanto às manchas, não teriam sido produzidas na festa do dia 22, mas cerca de três dias antes.
Tem-se como duvidoso: a hora da morte de Edison. Embora mencione a possibilidade de que tenha ocorrido entre as 14h e as 16h do dia 22, o laudo não é categórico. As cartas registram a presença de estudantes no local da festa até por volta das 23h. O corpo de Edison foi encontrado na manhã seguinte, às 7h30.
A promotora do Estado de São Paulo Eliana Passarellli apresentou denúncia no 5º Tribunal do Júri, no Fórum de Pinheiros (zona sudoeste de São Paulo), contra dois médicos e dois estudantes de medicina da USP (Universidade de São Paulo) pela morte de Edison. Segundo a denúncia, os quatro cometeram homicídio com dolo eventual, ou seja, assumiram o risco de produzir o resultado de sua ação.
Homicídio doloso é quando há intenção de matar.

Os réus eram Frederico Carlos Jaña Neto, Ari de Azevedo Marques Neto, Guilherme Novita Garcia e Luís Eduardo Passarelli Tirico.
Frederico Carlos Jaña Neto, conhecido na época como Ceará, era apontado como um dos veteranos mais agressivos nas recepções de alunos. Estudante do 6º ano, ele chegou a ameaçar um calouro dizendo que estaria ‘marcado’ caso ele se recusasse a se arrastar pelo chão do ginásio. Em um vídeo gravado numa festa, Frederico chegou a dizer que tinha “matado o japonês”, em alusão a Edison. A declaração rendeu cinco dias de cadeia, mas o veterano foi solto sob a alegação de que as declarações foram feitas em tom de brincadeira. Hoje, aos 34 anos, Frederico está casado e é médico especializado em ortopedia/traumatologia. Atende na Clínica de Fraturas de Ortopedia da Mooca, na zona leste de São Paulo.
Guilherme Novita Garcia, conhecido como Campanha, admitiu ter feito brincadeiras para assustar os calouros e disse ainda ter jogado uma estudante na piscina naquele dia. Em depoimento na sindicância interna da faculdade, Guilherme provocou tumulto ao acusar membros da comissão de distorcer suas palavras e se recursou a assinar o termo final. Atualmente com 35 anos, Garcia é médico especialista em ginecologia/obstetrícia.
Luís Eduardo Passarelli Tirico era titular do time de basquete da faculdade e considerado “mauricinho” por seus companheiros. Nos depoimentos, afirmou que não estava na área da piscina no momento em que todos pularam. Está com 30 anos e, assim como o amigo Frederico, é especializado em ortopedia.
Ary de Azevedo Marques Neto, então aluno do 3º ano da faculdade, era o presidente da Associação Atlética. De temperamento calmo, praticante de surfe e handebol, era uma das lideranças do trote. Ary teria puxado os gritos de guerra da faculdade que levaram os alunos a pularem na piscina. Aos 31 anos, é cirurgião plástico.
Em 2006, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu pelo trancamento da ação por falta de provas. Por cinco votos a três
O relator, ministro Paulo Gallotti, afirmou que os depoimentos prestados mostram que houve calouros que participaram do trote que não se incomodaram e outros que se consideraram humilhados e desrespeitados, mas todos deixam certo que não há como relacionar os acusados com a morte da vítima.

Mais de 20 anos depois, com o processo arquivado na Justiça, a mãe e Edson, d, ainda sonha com justiça e pede reabertura do caso, ela diz: "Ainda não sei o que aconteceu com o meu filho. Após tanto tempo, só queria as fitas das filmagens que sumiram e nos prometeram", diz. "Precisamos de justiça. Abafaram o caso."
Yen Yin Hwa mora sozinha em Santo Amaro e não tem com quem conversar. O filho do meio, Emílio Hsueh, é engenheiro e mora em Jundiaí. O mais velho mora nos Estados Unidos, com a mulher e a filha, neta de Yen Yin Hwa. O pai do calouro morreu em 2008. Segundo yen: "Ele já não comia. Ficou magro e doente. E morreu de depressão. Tudo por causa do meu filho que já foi", segundo a promotora responsável pela denúncia, Eliane Passarelli. Ele ia no Ministério Público quase todos os dias em busca de respostas. Não se conformava
"Yen conta que sente raiva da Justiça e da universidade. E considera injusto nunca ter recebido indenização.
A decisão de não idenização é do Tribunal de Justiça de São Paulo. O entendimento foi o de que a universidade não é responsável pela piscina do Centro Acadêmico onde ocorreu a fatalidade.
Os pais de Edison entraram ação contra a USP reclamando indenização por danos morais e materiais. Pediram pensão mensal de R$ 7,5 mil e indenização equivalente a 20 mil salários mínimos.
De acordo com o entendimento do Tribunal, a USP não tinha a posse do bem onde ocorreu a morte do calouro.
O entendimento é o de que o estado cedeu, em regime de comodato, a área da piscina ao Centro Acadêmico Oswaldo Cruz. O termo foi lavrado em 11 de junho de 1957 pelo prazo de 40 anos. Tempos depois, outro documento registrou a doação do imóvel à USP. O contrato de comodato entre a USP e o Centro Acadêmico foi prorrogado até agosto de 2036.
“Assim, pelo que se percebe, embora o imóvel pertença à USP, por doação da Fazenda do Estado, a donatária nunca teve a posse do referido bem, — que desde 1957 está sob a guarda e os cuidados do Centro Acadêmico —, não podendo ela (a USP), assim, responder por algo sobre o qual não detém o poder de vigilância e fiscalização”, entendeu o relator, desembargador Aldemar Silva.
Uma das promotoras que atuaram no caso, Eliana afirma ter sido ameaçada, até de morte, na época que investigava o caso. Segundo ela, os filhos, à época com 12 e 14 anos, receberam ameaças de sequestro na escola. Ela não sabe, no entanto, os autores das ameaças. E diz que nunca denunciou por considerar que não valeria a pena, embora afirme ter notificado o próprio Ministério Público Estadual (MPE) e o procurador-geral do Estado da época.
A postura da comunidade médica, de acordo com Eliana, foi "totalmente corporativista" no caso. "Professores deram declarações e depois se desdisseram totalmente. Eles chegaram a fazer passeata na porta do fórum porque foram contra a gente ter feito a denúncia. Chegou a ser até ridículo e desumano", diz ela.
A sindicância feita pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) concluiu que não houve responsáveis diretos pela morte de Hsueh. Em nota, a faculdade informou que em dezembro de 2014 reforçou, por meio de três portarias, o veto ao "trote ou qualquer atividade que atente contra a integridade física e moral, além da proibição do comércio e consumo de álcool em quaisquer atividades relacionadas à recepção dos calouros, interna e externa do câmpus".
Além disso, informa a faculdade, "todas as atividades de recepção aos calouros são organizadas e têm proposta detalhada aprovada pela Comissão de Integração da FMUSP".
Segundo a faculdade, também foram criados espaços que dispõem de serviços e programas voltados para o suporte dos alunos. "É uma rede interligada para o acolhimento, providências e acompanhamento, visando ao bem-estar e à integridade de todos que fazem parte da instituição", informa.
Nos últimos anos, a Faculdade de Medicina da USP se viu envolvida em nova polêmica, desta vez relacionada a abusos sexuais em festas universitárias. Em 2014, alunas da unidade denunciaram terem sido estupradas em festas promovidas por estudantes da instituição.
Fontes:
https://istoe.com.br/30303_FARRA+MORTAL/
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff18049914.htm
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff24029901.htm
https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2019/02/23/interna_nacional,1033081/morte-na-usp-faz-20-anos-e-mae-pede-justica.shtml
http://www.sedep.com.br/noticias/morte-na-piscina-usp-no-tem-de-indenizar-pais-do-estudante-edison-hsueh/
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/06/stf-mantem-absolvicao-de-4-pela-morte-de-calouro-da-usp-em-1999.html
https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121932114/stf-arquiva-acao-contra-acusados-de-matar-calouro-da-medicina-da-usp
https://migalhas.uol.com.br/quentes/29779/integra-da-decisao-do-stj-que-trancou-acao-contra-acusados-de-matar-calouro-de-medicina-da-usp-durante-trote-finalmente-e-publicada
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1702200109.htm
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2101200031.htm
https://www.folhadelondrina.com.br/geral/estudantes-processados-por-trote-violento-322778.html
https://www.virgula.com.br/home/legado/na-cola-morte-de-calouro-da-usp-completa-10-anos-sem-nenhum-culpado/
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Anatoly Moskvin nasceu em em 1966, na russia soviética, especificamente na localidade de Gorki, hoje conhecida como Nizhny Novgorod, a quinta maior cidade da Rússia
Ele é Filho de Yuri Fedorovich e Elvira Alexandrovna e quando pequeno, sua educação não foi nada fácil,
Quando ele estava na terceira série, ele voltou para casa um dia coberto de hematomas resultantantes de um estupro, cometido por um homem desconhecido.
Não está claro se ele contou ou não essa história do estupro para seus pais na sua infãncia, porém logo eles notaram que algo estava errado com o caráter do filho, que começava a ficar cada vez mais retraido. Embora seus genitores tenham tentado questioná-lo sobre seu comportamento, quando tocavam no assunto ele reagia agressivamente. No entanto eles sabiam desde cedo que ele era muito inteligente, então eles simplesmente atribuíram sua falta de jeito social e dificuldade de fazer amigos a esse fato, e o deixaram à sua sorte.
Bem sucedido academicamente, ele sempre foi o primeiro da classe, mas muitas vezes era intimidado por seus colegas e condenado a ficar sozinho na escola.
Moskvin sempre lutou para criar relacionamentos sociais, e por não ter muito sucesso nessa empreitada, ele gastou cada centavo que encontrou em livros, enquanto aprendia línguas por conta própria, chegando a aprender 13 línguas.
Se esses problemas da escola não conseguiram ainda deixar cicatrizes no jovem, um incidente ocorrido em 4 de março de 1979 faria o trabalho de forma abrangente. Mais tarde na vida, ele viria se referir a isso como um ponto de inflexão para ele, despertando um interesse tanto pelo Oculto quanto pelos cemitérios que mais tarde estudaria meticulosamente, quase em um nível de peregrinação.
Com 12 anos e ainda freqüentando a Escola, Moskvin estava recolhendo papéis usados com o resto de sua classe. Na Rússia Soviética, a reciclagem era organizada pelo governo e as escolas realizavam competições obrigatórias para a coleta de papel usado, e como estavam em um ambiente competitivo, os alunos frequentemente se encontravam em lugares que talvez não deveriam ir, apenas para superar seus colegas: Foi assim que Moskvin acabou se vendo no quintal de um estranho.
Os ocupantes da casa não estavam tendo um dia muito normal, ele se viu observando as duas dúzias de figuras adultas vestindo túnicas pretas, segurando velas acesas sobre um caixão e cantando em uma língua estrangeira,
Enquanto ele recuava do pátio para ir embora, um dos ocupantes o viu, segurou pelo seu ombro e o puxou para o meio das outras pessoas, insistindo para que ele viesse beijar o rosto da criança morta que jazia no caixão. A criança era uma menina chamada Natasha Petrova, de 11 anos, que, durante seu banho, ao tentar agarrar uma toalha para sair da banheira , acabou tendo contato com um cabo elétrico desemcapado, morrendo eletrocutada instantaneamente.
Moskvin se recusou a beijar a garota, porém os pais não quiseram ouvir suas negações. Ele começou a chorar, implorando para ir embora, mas ninguém parecia ouvir ou ver seu desespero, e então, percebendo que não teria outra escolha, aproximou-se do corpo no caixão.
Nas palavras do próprio Moskvin, isto é o que ocorreu nos minutos seguintes, abre aspas:
“Uma mulher, aparentemente a mãe do falecido, deu-me uma grande maçã e beijou-me na testa. Ela me levou até o caixão e me prometeu muitos doces, laranjas e dinheiro. Ela me disse para beijar a falecida. Eu comecei a chorar e implorei que ela me soltasse, mas os sectários insistiram. Todos novamente cantaram orações em uma língua que eu não entendia, e um dos adultos puxou minha cabeça para a testa cerosa da garota, que vestiaum boné de renda. Eu não tive escolha a não ser beijar como fui ordenado. "
Moskvin beijou a garota sem vida três vezes na testa. Dois anéis de cobre foram produzidos pela família em luto, e ele foi instruído a colocar um no dedo da garota e usar o segundo ele mesmo. Em seguida, ele recebeu uma cesta de frutas e uma pequena soma de rublos como se fosse uma recompensa por ter coperado no funeral, e então foi liberado, claro que não antes que lhe dissessem para não contar a ninguém o que havia acontecido por pelo menos 40 dias.
Quando dobrou a esquina, Moskvin jogou as frutas na neve e foi gastar o dinheiro que recebera em um livro sobre animais.
Após o evento, ele começou a ter sonhos estranhos com a garota morta, que passou a visitara-lo como uma aparição todas as noites.
Segundo ele, Natasha tinha vindo até ele para que ele aprendesse magia negra com ela. Ele recusou completamente, porém Natasha era muito persistente. Ela o visitava em seus sonhos todas as noites, até que ele decidiu voltar para a aldeia onde ela nasceu, o que interrompeu as visitas por um tempo.
Pouco depois de voltar para casa, porém, os sonhos recomeçaram. Ele contou aos pais sobre Natasha e, finalmente, eles decidiram procurar aconselhamento médico para seu filho perturbado, o médico, no entanto, concluiu que Moskvin estava apenas passando por uma transição para a puberdade e prescreveu-lhe doses de Valeriana, um sedativo à base de ervas geralmente usado para ajudar no sono e relaxamento.
Depois de um ano dessas visitas noturnas, Natasha finalmente se cansou das negativas de moskvins, passando a adotar uma abordagem diferente, sugerindo uma cerimonia que ele poderia fazer para passar o fardo de sua companhia para outra pessoa.
Ele então realizou uma cerimônia simples que ela havia descrito para ele, usando um dente que ele obteve de um colega como um componente mágico do ritual. O ritual acabou mostrando ter tido sucesso pois Natasha nunca mais o visitou, embora a presença dela em sua vida tivesse um efeito profundo sobre ele quando adulto.
Ele visitava o local do túmulo dela em Krasnaya Etna sempre que estava no distrito em que ela foi enterrada, e Este evento também abriu seus olhos para o estranho mundo do ocultismo, no qual ele logo encontraria um profundo interesse. Todo o caso também deu início a seu interesse por cemitérios, que ele disse o atraiu “como um ímã”.
Depois de um ano dessas visitas noturnas, Natasha finalmente se cansou das refutações dos moskvins. Em vez disso, ela tentou uma abordagem diferente, sugerindo um curso de ação que Moskvin poderia tomar para passar esse fardo para outro. Ele uma declaração simples que ela havia descrito para ele, usando um dente que ele obteve de um colega como um componente mágico do ritual. Isso terminou com sucesso e Natasha nunca mais o visitou, embora a presença dela em sua vida tenha um efeito profundo sobre ele quando adulto. Ele visitava o local do túmulo dela em Krasnaya Etna sempre que estava no distrito de Leninsky de Nizhny Novgorod. Este evento também abriu seus olhos para o estranho mundo do ocultismo, no qual ele logo encontraria um profundo interesse. Todo o caso também deu início a seu interesse por cemitérios, que ele disse o atraiu “como um ímã”.

Como estudante universitário, Moskvin estudou na faculdade de Filologia da Universidade Estadual de Moscou. Desde muito jovem, ele se interessou por línguas e, graças aos seus estudos independentes, agora falava treze delas. Aproveitando a liberdade da vida estudantil, Moskvin se juntou à sociedade de Luciferianos, um ramo teísta do Luciferianismo, que abraçou muitos conceitos do Caminho da Mão Esquerda. Ele também participou de rituais envolvendo animais mortos, passou em um teste para se tornar um praticante de magia negra e jurou celibato e abstinência onde nunca deveria beber ou fumar.
Naquele momento da vida, ele se arrependia de ter evitado Natasha e suas promessas de lhe ensinar as artes das trevas.
Em um de sus artigos, Moskvin relata:
“Meu estranho casamento com Natasha Petrova foi útil”, . Ele disse que isso levou à crença na magia e, em última instância, ao fascínio pelos mortos.
Em contraste com esse caminho oculto em sua vida, durante o dia, Moskvin escreveu sua tese para o departamento de Filologia Céltica e Alemã e, após se formar, começou a ensinar celtologia na Universidade de Nizhny Novgorod. Ele publicou dois dicionários de russo para inglês, bem como um dicionário de palavras estrangeiras e um dicionário de fraseologia escolar voltado para crianças em idade escolar. Seus colegas o consideraram gentil, pontual e um gênio. entretanto isso tinha um certo preço social, e muitos o consideravam um tanto excêntrico, enquanto outros o achavam bastante difícil de se conviver.
Após vários desentendimentos com alguns dos funcionários da universidade, ele deixou o cargo, concentrando-se em redação e tutoria.
Sua mãe posteriormente explicou como ele gostava de se comunicar com as crianças, ele era popular como tutor, ensinando predominantemente línguas, embora também tenha dado aulas de várias outras disciplinas, de História a Literatura.

(Pais de Moskovin)
Moskvin também disse que queria se tornar um professor de inglês para crianças após uma iniciativa de Vladimir Putin para promover línguas estrangeiras nas escolas.
Em 2003, Moskvin conheceu Yulia Grehnova, uma jovem que ele admirava muito. Yulia era um\a espiritualista focada em religiões indianas , o par entrou em um relacionamento não sexual, com Yulia desempenhando um papel semelhante a uma musa para Moskvin, enquanto ele continuava a escrever. A relação satisfazia a necessidade de socialização de Moskvins, ao mesmo tempo que permitia que ele mantivesse seus votos de celibato e Yulia ficou bastante feliz com o acordo, tendo sido sugerido por ela mesma. Com o tempo Yulia passou a querer um filho, e não demorou muito para que moskvin concordasse, pois já queria um filho há muitos anos. Dada a natureza não sexual de seu relacionamento, Moskvin solicitou a adoção de uma jovem em 2003. Seu pedido foi rejeitado, porém, com a desculpa de que os ganhos de Moskvin eram muito baixos. A essa altura, sua renda não era fixa e ele estava sobrevivendo com os pagamentos que recebia do trabalho jornalístico freelancer que publicava em vários jornais locais.
Além desse pequeno salário, ele ainda morava na casa de seus pais, que o sustentavam financeiramente. Seus pais obviamente não tinham o mesmo entusiasmo por seus planos de adoção, o que gerou tensões na família, levando Moskvin a ameaça-los de fazer trabalhos de magia negra com ajuda dos mortos contra eles
Acostumada com seu comportamento excêntrico, sua mãe simplesmente disse a ele para fazer o que quisesse.
No final, tudo acabou em pizza, já que seu relacionamento com Yulia chegou ao fim e a necessidade iminente de um filho pareceu ficar em segundo plano. Em vez disso, Moskvin voltou sua atenção para uma nova aventura nas estradas de Nizhny Novgorod.
Em 18 de julho de 2005, Moskvin pegou a estrada pela primeira vez como parte de um novo empreendimento de pesquisa que ele havia organizado, patrocinado por Oleg Riabov, um conhecido historiador que vivia na mesma cidade que ele. A dupla planejava publicar um livro intitulado “Necrópole de Nizhny Novgorod” e Moskvins, ficou incubido de viajar pela região documentando cemitérios e desenterrando a história local ao longo do caminho.
Por três anos, Moskvin viajou a pé por Nizhny Novgorod. Ele fazia em média mais de 30 km por dia, a maioria andando devido à natureza rural de muitas das áreas que visitava, os ônibus nessas rgiões muitas vezes saíam apenas uma vez por dia e raramente tinham horários convenientes e muitas das estradas que ele viajava também eram bem precáriaso. Enquanto viajava ele se entregava ainda mais aos seus livros
“Minhas pernas caminharam nas estradas, meus olhos caminharam nas linhas.” Ele afirmou.

Em geral, sua rotina durante as pesquisas era a seguinte: ele chegava aos cemitérios à noite e passava as horas restantes do dia raspando o musgo de lápides antigas com um cinzel, escrevendo os nomes dos proprietários, datas de vida e morte e qualquer outra informação que pudesse reunir em um caderno com um lápis. Ele dormia onde podia, embora muitas vezes sua cama ficasse nas entradas ou nas pedras do cemitério, as vezes num palheiro no campo oumontes de serragem , em momentos de sorte, ele encontrava um cemitério com um chalé e o usava como abrigo. Uma noite, em um cemitério muçulmano em Sergachsky, ele dormiu dentro de um caixão que havia sido guardado como preparação para um futuro enterro. Na manhã seguinte, foi acordado por dois coveiros muito surpresos, que felizmente para Moskvin já estavam bêbados e ficaram tão assustados quanto ele, o que permitiu que a situação fosse amenizada com certo grau de humor.
Ele nunca teve problemas com a polícia, já que os policiais nunca visitaram os cemitérios, e os locais contavam apenas com vigilantes locais que eram preguiçosos demais para patrulhar toda a área, e se limitavam a dirigir apenas pela entrada e ir dormir em algum canto. Nas ocasiões em que era parado e revistado, ele sempre mostrava seus materiais de pesquisa acadêmica e passaporte e tinha permissão para seguir seu caminho. No entanto, ele nem sempre teve a mesma sorte com os civis, e em 2006, enquanto documentava um cemitério em Buturlinsky, foi abordado por um grupo de uma dúzia de homens bêbados que estavam celebrando um casamento, que o acusaram de roubo e iniciarram uma confusão ali mesmo. Ele implorou que os homens o levassem à polícia ao em vez de espanca-lo e, quando eles chegaram à delegacia, os policiais amenizaram a situação e o levaram para a periferia da cidade, soltando-o e o avisando para não voltar. Em outra ocasião, em setembro de 2006, ele estava visitando um cemitério em Pavlovo quando foi confundido com um padre por um trio de dois bêbados e uma mulher bêbada que estavam de luto no túmulo de sua filha recentemente falecida. Quando lhe pediram para cantar com eles, ele recusou, explicando que não era um padre e se virou para sair. Os homens o espancaram e roubaram seu dinheiro, porém, no dia seguinte, Moskvin visitou novamente o túmulo, anotou o nome na lápide e relatou o caso à polícia, que seguiu a pista e prendeu os homens imediatamente.
Fora das dificuldades que a pesquisa teve devido a os bêbados locais, o cansaço de todo esse trabalho afetou Moskvin. Em 2006, ele observou que o tempo estava extremamente chuvoso durante o verão, e em 2007, estava extremamente quente na mesma época, o que o levou a beber água em poças.
Era seguro dizer que o trabalho era exaustivo e Moskvin atribuiu o esforço dos anos que se passaram percorrendo paisagens rurais para pesquisar cemitérios, ao seu envelhecimento e calvice precoce.
No entanto, nem tudo foi luta, ele notou também a hospitalidade geral de muitas pessoas que lhe trouxeram comida e o levaram entre várias aldeias rurais sem lhe cobrar nada por isso.
No final, ele se lembrava que era tudo por uma boa causa, afinal, muitos registros foram perdidos durante o regime soviético e Moskvin não considerava os relatórios dos jornais confiáveis. Mesmo antes dos soviéticos, ele notou que a caligrafia e o mau estado geral dos documentos antigos tornavam as informações extraidas deles não confiáveis. Ele insistia fortemente que era muito melhor sair para a estrada e fazer o trabalho sozinho. Entre 2005 e 2007, Moskvin visitou 752 cemitérios em 35 distritos, revelando o passado de mais de 1000 pessoas que acreditavam anteriormente ter se perdido no tempo.
Além do trabalho de pesquisa para seu próximo livro, esta peregrinação trouxe uma segunda vantagem, um tanto mais perturbadora, para Moskvin. Um que ofuscaria qualquer um de seus trabalhos anteriores de escrita.

Casa de boneca
Entre 2006-2010, após sua pesquisa sobre cemitérios, Moskvin escreveu para vários jornais, incluindo o Nizhny Gorodosky Rabochy, onde escrevia artigos duas vezes por mês sobre cemitérios e história e trabalhou também no jornal de Nizhny Novgorod, escrevendo sobre vários assuntos históricos. Seu pai chegou a trabalhar com ele em alguns desses jornais.
Moskvin Nunca se esquivava do tabu, ele escreveu um artigo sobre as invasões mongóis-tártaras da Rússia entre os séculos 13 e 15, que acusavam os invasores de estuprar milhares de mulheres. Isso atraiu ambas as críticas do público, já que ele se viu acusado de atividades extremistas contra o povo tártaro, bem como de interesse da Divisão E do MVD, o órgão anti-terrorismo do departamento de assuntos internos da Rússia.
Em 2008, Moskvin publicou um livro sobre a história da suástica como símbolo solar até o século XIX. Isso chamou a atenção para ele mais uma vez, desta vez ele foi atacado e acusado de ser fascista, mais uma vez atraindo os ouvidos das autoridades.
Depois dos atentados terroristas no aeroporto Domodedovo International em 2011, Moskvin visitou um cemitério muçulmano e pintou lápides, e fixou nelas reportagens de jornal contendo nomes dos mortos. Isso ocorreu após uma onda de atividades antimuçulmanas na área e a profanação de túmulos muçulmanos ao redor da região e levou a Divisão “E”, que o estava seguindo há algum tempo, a agir.
Em 2 de novembro de 2011, eles invadiram o apartamento de Moskvins em busca de materiais extremistas, mas ao invés desses materiais, eles encontraram algo muito mais perturbador. Dentro do apartamento de Moskvin, os funcionários encontraram 29 bonecas de tamanho humano, vestidas com roupas femininas e pintadas com maquiagem rústica.
Algumas delas tinham caixinhas de música embutidas no peito, permitindo que “falassem”. A cena dessas bonecas, apoiadas em torno do quarto de Moskvins e também guardadas na garagem, seria bastante estranha, porém, as bonecas guardavam um segredo mais sombrio.

Quando a divisão E começou a procurar e limpar o apartamento, eles notaram que os bonecos faziam um barulho quando eram pegos e sacudidos. Eles abriram um e descobriram que dentro de cada um estavam os restos mumificados de um corpo humano.
Moskvin estava coletando mais do que apenas história dos Cemitérios de Nizhny Novgorod.
A prisão
Enquanto a divisão invadia o apartamento, eles encontraram mais e mais bonecos, 29 no total, todos vestidos com roupas de papel e tecido e posicionados ao longo dos quartos. Eles carregaram um a um para fora de casa para serem colocados na carroceria de um caminhão na frente de uma multidão de jornalistas e moradores locais, . A história foi demais para os jornais resistirem e, no dia seguinte, explodiu nacionalmente, com manchetes chamando Moskvin de “O Titereiro”.
(Significado de Titereiro: adjetivo Que faz espetáculos com títeres, tipo de boneco articulado movido por fios; titereiro. substantivo masculino Artista que manipula títeres em apresentações de teatro de boneco. Etimologia (origem da palavra titeriteiro) )
Após a prisão, seu pai foi hospitalizado, sofrendo um ataque cardíaco, sua mãe também foi hospitalizada por um período, culpando sua saúde debilitada pelo choque da prisão de seu filho. Apesar de viverem tanto tempo com as bonecas, elas se apegaram à história de que não tinham ideia do que havia dentro das macabras mumias. Eles pareciam bonecos de papel Mache rudes e, no passado, Moskvin tinha um interesse em bonecas russas, então seus pais presumiram que era uma extensão desse interesse.
Um amigo de seus pais falou de seu choque em uma entrevista posterior, e nessa entrevista ele disse:
“As bonecas não apareceram de repente, Moskvin construiu a coleção ao longo de dez anos. Todos eles foram mantidos em seu quarto. Havia apenas uma nos quartos dos pais, que ele chamou de "Masha". Seus pais não faziam ideia. Quando os amigos os visitavam, muitas vezes os consideravam obras de arte, chamando-os de fantoches. Eles simplesmente nunca pensaram que poderiam conter restos humanos mumificados. A única preocupação de sua mãe era que às vezes ele falava com eles

Em uma véspera de Ano Novo, Moskvin apresentou "Masha" à sua tia, depois de sentá-la à mesa da família. "Esta é Masha", disse ele, "não tenha medo dela."
Todas as bonecas continham os restos mortais mumificados de meninas que sofreram mortes trágicas e frequentemente violentas. Embora existam vários cujos nomes e detalhes nunca foram divulgados, as idades relatadas das garotas mortas variavam entre 3 e 30 anos. Moskvin recheou os restos mumificados com panos e trapos, vestiu-os com roupas que encontrou no lixo ou nas próprias covas e maquiou o rosto delas com tinta.
Ele sabia todos os seus nomes, suas histórias e as circunstâncias de todas as suas mortes. Ele desenterrou o primeiro corpo em 9 de maio de 2003 após o desentendimento com seus pais sobre a adoção, acom a negativa dos pais, ao invés de tentar adotar um criança, decidiu tentar ressuscitar uma morta com sua magia negra.
Em suas próprias palavras, isso foi o que aconteceu em sua primeira empreitada:
“O caixão estava coberto com matéria sintética carmesim. Com um cinzel, fiz um buraco na tampa do caixão na cabeceira da cama e através dele tirei o que restava do corpo. Estava em péssimas condições. A menina estava vestida com uma blusa branca, saia preta, meia-calça velha e sapatos. ”
“A criança tinha cabelo comprido. Então decidi pela primeira vez tentar mumificá-lo. Mudei o corpo para um canto remoto do cemitério e enterrei no túmulo abandonado de alguma avó. ”
“Para mumificar adequadamente o corpo, você precisa de refrigerante e sal em várias proporções. Comprei essas substâncias na loja, encontrei meias velhas no lixo e fiz sacolas com elas, despejando refrigerante e sal nelas e amarrei aos restos. Troquei essas bolsas uma vez por semana. Se as pessoas prestassem atenção em mim, eu dizia que estava lá para alimentar os pássaros. ”
“Em 25 de julho de 2003, enolei o corpo em roupas diferentes e carreguei-o de volta para casa na mochila. Em dois dias, restaurei o corpo: enfiei trapos dentro, costurei o corpo com fios e fiz uma máscara de cera no rosto dela e depois cobri com esmalte, que encontrei no lixo. Depois disso, coloquei as roupas nela, que também encontrei no lixo. ”
Algumas das bonecas tinham botões no lugar dos olhos, enquanto outras tinham máscaras feitas de pelucia.

Enquanto estava sob custódia e aguardando julgamento, Moskvin cooperou com as investigações da polícia, detalhando os vários cemitérios de onde os corpos foram removidos, bem como fornecendo os nomes das meninas que ele havia exumado. No dia 12 de maio, ele deu uma entrevista a jornalistas russos explicando como e por que ele havia colecionado suas bonecas.
Na entrevista ele diz:
“O que acontece é que estou praticando magia negra. Queria reanimá-los, tive pena dessas crianças, que ainda podiam viver . Eu os mantive para que, quando a ciência aprender a lutar contra o câncer, ela possa revitalizá-los mais tarde, a genética está se desenvolvendo agora muito rapidamente. Senti pena de todas essas crianças ”.
“Eu sou um especialista em estudos célticos e estudando a cultura céltica, percebi que os druidas tinham uma tradição de se comunicar com os espíritos dos falecidos dormindo em túmulos. Quando estudei a cultura dos povos da Sibéria, especificamente, a cultura dos antigos Yakuts, lá também encontrei uma prática semelhante. Também comecei a dormir sobre os túmulos de crianças que gostavam de mim. Os espíritos das crianças falecidas vieram até mim. ”
“Conseqüentemente, eu verifiquei se eram demônios que vieram, ou se eram espíritos. Eu coletei todas as informações que pude. Então, se possível, verifiquei essas informações. Eu estava convencido de que os espíritos das crianças mortas realmente vieram até mim. ”
“No começo eu dormia nas sepulturas, depois me ajustei porque não era conveniente dormir ali. Em vez disso, carreguei os corpos para onde seria conveniente dormir sobre eles.
“Comecei a secá-los e levá-los para casa. Isso foi feito de forma muito inteligente e lenta, um de cada vez, para que ninguém soubesse disso. ”
“Estudei a teoria, a tecnologia da mumificação de todos os livros disponíveis. Estudei as escritas egípcias antigas. Fui a Moscou especialmente para estudar tudo isso. ”
Os jornalistas continuaram perguntando o que ele fez com eles enquanto os mantinha em sua casa,
“Eu conversei com eles. Tínhamos uma hierarquia, nossa própria linguagem, tínhamos, respectivamente, nossas músicas, tínhamos nossas próprias férias, tínhamos nossa própria paz interior ”.
“Meus pais não viram quase nada disso, e eu não deixei ninguém entrar neste mundo. Via de regra, meus pais saíam de casa no verão, saindo em abril e voltando em outubro. Naquela época, estávamos envolvidos neste mundo. ”
“Acho que realmente explorei tudo o que poderia explorar nesta área de magia negra. Para ser honesto, tive meus filhos favoritos. Eu planejava manter meus amados filhos em casa de qualquer maneira. Dos que eu menos gostava, planejava levá-los para a garagem, e eles moravam lá na garagem. ”
Eu não os desfigurava, não os desmembrava. Apliquei todo o meu trabalho com delicadeza, carinho, educação, até tentei não xingar na frente dessas crianças ”
“O fato é que sofri muito com a solidão, principalmente durante o verão, quando meus pais não estavam, e quando levaram o gato.
“Eu os sentei, eles tinham buracos sob os olhos, mostrei desenhos animados para eles, toquei canções infantis, eu mesmo cantei canções para eles. Canções infantis comuns, que eu cantaria quando tivesse uma filha viva. Depois comemos juntos, ou melhor, comi, apenas ofereci comida, como é na tradição celta ou yakut. ”
“Tenho estudado psicologia infantil há cerca de 10 anos, preparando-me para a criação de uma criança. Tenho experiência de comunicação com crianças vivas de minhas aulas particulares. O que eu faria com os filhos vivos, faria com eles. Eu os tratei como se estivessem vivos, eles estavam apenas temporariamente mortos ”
Moskvin falou sobre como organizou festas de aniversário para as crianças e celebrou eventos especiais com elas. Quando um jornalista perguntou se ele sabia que o que tinha feito era ilegal, ele respondeu:
“Sim, percebi que era ilegal. Mas na época em que os heróis de nossa ciência, Dubinin, Chetverikov, quando faziam experiências com moscas de fruta em algum lugar de seu armário, eles também sabiam que isso era ilegal sob as leis da época de Stalin. Foi então que a genética foi proibida. Agora a clonagem é proibida. ”
“Desde o início eu sabia que estava cometendo um crime, mas tinha tanta pena das crianças que, infelizmente, a clonagem é proibida em nosso país. Isso será permitido mais cedo ou mais tarde. Eu só queria algum material para clonagem futura. Para que essas crianças pudessem viver uma segunda vez.
“Fiquei muito triste por essas crianças. Naturalmente, cada vez que cavei uma cova, eu nivelei, para que não se visse nada, para não incomodar os parentes. O fato é que por 10 anos isso foi mantido em segredo. Então, eu sabia que nenhum dos parentes do falecido jamais saberia sobre isso. Fiz tudo perfeitamente.
“Eu não fui preso em um cemitério. O MVD veio até mim sobre outro assunto e acidentalmente encontrou as bonecas. Ninguém sabia do que eu fazia essas bonecas, nem meus pais sabiam. “
Assustadoramente, quando perguntado por que ele fazia tudo isso, ele comentou que queria um filho, uma filha com quem pudesse compartilhar todos os seus conhecimentos. As bonecas eram, para Moskvin, um substituto distorcido.
“As crianças que eu gostava, enxuguei, ressuscitei e trouxe para minha casa

Julgamento
Em maio de 2012, o julgamento de Anatoly Moskvin começou. Embora tenha enfrentado cinco anos de prisão, ele foi rapidamente considerado louco e isento de qualquer responsabilidade criminal. Uma avaliação psicológica diagnosticou-o com Esquizofrenia Paranóide e em 27 de setembro de 2013, ele foi condenado a "medidas médicas obrigatórias", e encarcerado em uma clínica psiquiátrica onde seu caso é analisado a cada 6 meses e onde ele pode ficar trancado pelo resto da vida com base nestas avaliações.
Durante o julgamento, as famílias das meninas que ele havia mumificado gritaram ao juiz para prendê-lo pelo resto da vida, enquanto outras gritaram pela pena de morte. Eventualmente, nem a acusação nem a defesa apelaram do resultado.
Ele foi condenado a pagar uma indenização de cerca de 75.000 dólares por danos morais às famílias de cada criança, embora, curiosamente, o pai de uma das bonecas de Moskvins rejeitou qualquer indenização, seus argumentos para isso é um tanto quanto bizarro:
“Eu não aceitaria nada de Moskvin, afinal ele tratou minha filha melhor do que eu havia feito durante sua vida. Ele a vestiu, colocou-a na cama, leu seus contos de fadas e mostrou seus desenhos ”.
Essa divisão de opinião observada no julgamento ecoa por toda a Rússia e permanece até hoje, moldando os eventos atuais em torno do encarceramento de Moskvins
Em junho de 2015, a audiência habitual de Moskvins era para prorrogar sua permanência no hospital psiquiátrico por mais seis meses, porém, nesta ocasião, as coisas foram um pouco diferentes. Quando a audiência estava prestes a começar, o juiz presumiu que tudo correria como antes, mas dessa vez Moskvin tinha um novo advogado. Violetta Volkova, a mesma advogada de direitos humanos que alcançou fama internacional quando defendeu a banda punk feminista Pussy Riot, falando abertamente contra o regime e o sistema judicial russo.
Foi relatado que Moskvin havia sido espancado regularmente por guardas e outros pacientes, colocado em isolamento e sem liberdade para deixar seu quarto, embora sua família pudesse visitá-lo diariamente. Sua mãe afirma que ele consumia até 15 comprimidos por dia, incluindo muitos sedativos, deixando-o incapaz de escrever, muitas vezes babando sobre si mesmo e dormindo grande parte do dia.

Volkova fez novas exigências para Moskvin, insistindo que ele fosse transferido para uma clínica independente em Moscou para um reexame, expressando desconfiança sobre as atitudes dos médicos psiquiatras da atual instituição de Moskvins. Ao lado de Violetta, Moskvin passou os últimos dois anos pressionando para ser liberado e continuar seu tratamento em casa como paciente ambulatorial. Em 2018, isso se aproximou da realidade, já que o caso de soltura ganhou o apoio de seus atuais médicos.
Uma comissão médica recomendou a libertação de Moskvin afirmando que sua esquizofrenia havia sido tratada, mas isso foi rejeitado por um tribunal.Quem quer que tenha contratado Volkova, o fez em segredo, embora alguns especulem que seja uma estação de TV, na esperança de lucrar com a sua libertação, enquanto outros apresentam teorias sobre um grupo artístico em Moscou ou um grupo de direitos humanos.
Apesar disso e sabendo muito bem do mau tratamento que recebeu durante seu encarceramento, seus próprios pais não desejam que ele seja libertado, temendo que ele simplesmente repita seus crimes.
Por outro lado, ele parece ter conhecido uma futura noiva, uma senhora anônima de 25 anos que estudou na mesma faculdade de Filologia em que se formou há tantos anos.
Em 2020 Moskvin voltou a ser noticia nos jornais do mundo todo quando ele se recusou a pedir desculpas aos pais das crianças cujos corpos foram roubados e violados, e ainda afirnou: . "Não há pais, na minha opinião. Eu não conheço nenhum deles", disse o russo. "Além disso, eles enterraram suas filhas, e é aqui que eu acredito que seus direitos sobre elas terminaram? Então, não, eu não pediria desculpas", completou.…
: “Vocês abandonaram suas meninas no frio - e eu as trouxe para casa e as aqueci”.
Se ele for libertado, Moskvin expressou interesse em voltar ao trabalho, traduzindo obras escritas em Moscou e se casando com sua noiva misteriosa. Pelo menos desta vez, sua esposa estará viva.
Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Anatoly_Moskvin
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-anatoly-moskvin-o-russo-que-mumificava-meninas-mortas.phtml
https://peoplepill.com/people/anatoly-moskvin
https://allthatsinteresting.com/anatoly-moskvin
https://www.celebsagewiki.com/anatoly-moskvin
https://www.darkhistories.com/russian-dools-anatoly-moskvin/
- 12:00
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